Quando pensamos que não temos mais nada a perder, ainda podemos perder tudos!*

Autor: Paloma Silveira**
Publicado em: 28 de setembro de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Parece paradoxal o título deste texto e de certa forma até é. Se não temos nada a perder, como é que ainda podemos perder tudos? Nestes tempos pandêmicos, perdemos 138.977 mil pessoas e mais de 4,6 milhões foram contaminades pelo coronavírus/covid-19. Estamos perdendo o Pantanal e a Amazônia para as queimadas e os desmatamentos que estão em curso mais acelerado. Entretanto, para o antipresidente, em discurso proferido na Assembleia das Nações Unidas (ONU), ocorrida em 22 de setembro de 2020, “a floresta amazônica é úmida e só pega fogo nas bordas” e “o nosso Pantanal (…) as grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição” (BRANT; MACHADO, 2020).

Arrematou o falseamento da realidade dizendo que “os responsáveis pelas queimadas são ‘índios’ e ‘caboclos’” – omitindo deliberadamente análises científicas que mostram que a maior parte da área queimada decorre da expansão da agropecuária realizada por grandes proprietários de terras (BARIFOUSE, 2020) – e que o desgoverno tem “tolerância zero com o crime ambiental” (GALGARO; GOMES; MAZUI, 2020). Importantes órgãos ambientais perderam verbas: o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) perdeu 4% e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) 12,8% (BRANT; MACHADO, 2020). Estão assim passando a boiada, como propôs o ministro do anti-meio ambiente na famigerada reunião ministerial de abril (G11, 2020).

 

Leia aqui a análise na íntegra.

 

*Agradeço a Gurgel, Aninha e Emanuelle Góes pelo muito e sempre algo mais.
**Mulher cis, heterossexual, reconhecida socialmente como branca, professora, psicóloga e às vezes artista. Mestra em Psicologia pela UFPE e Doutora em Saúde Coletiva pelo ISC/UFBA.





Deixe um comentário







Instituto de Saúde Coletiva • Universidade Federal da Bahia • Rua Basílio da Gama, s/n • Campus Universitário do Canela • 40.110-040 • Salvador-Bahia • +55 71 3283-7441 / 3283-7468

© 2024 Observatório de Análise Política em Saúde. Todos os direitos reservados.