Priorizar crianças vulneráveis de 12 a 17 anos na campanha nacional de vacinação é promover equidade

Autor: Wanderson Oliveira*
Publicado em: 17 de junho de 2021
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Em 11 de junho deste ano a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina da Pfizer para adolescentes a partir de 12 anos de idade. Deste modo, neste momento, este imunógeno passa a ser a única opção de uso para este grupo etário, dentro do arsenal de vacinas que o Brasil vem adquirindo.

Como epidemiologista e pai de uma criança com deficiência, embora ainda não possa ser contemplada com esta resolução, pois tem apenas 3 aninhos, ao lado da professora Glória Teixeira (ISC/UFBA), estou empenhado na luta para que crianças e adolescentes, de 12 a 17 anos, com deficiência e comorbidades, sejam vacinados já, pois serão os únicos que não poderão voltar para as atividades escolares presenciais caso não estejam vacinados. Ademais, os deficientes não podem dar continuidade às atividades terapêuticas tipo fisioterapia, fonoterapia, dentre outras tão necessárias ao seu melhor desenvolvimento, dado que estas exigem contatos interpessoais que expõem ainda mais estes jovens ao risco de adquirem COVID-19. Se a vacinação for adiada, o fosso de dificuldades que afetam estes dois grupos só ficará mais profundo. Mesmo para aqueles que possuem recursos financeiros para pagar cuidadores e/ou terapeutas para atuarem no ambiente domiciliar para seus filhos, esta iniciativa não é suficiente para suprir os benefícios que as atividades escolares, lúdicas e sociais, presenciais promovem. A escola não é apenas ambiente de ensino, mas também é proteção social e parcelas siginificativas da nossa população não dispõem de recursos para propiciar terapias domiciliares e dependem dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Neste momento, o Brasil vai dispor de um quantitativo adicional de vacinas da Jansen, cujo plano de entrega era para o 4º trimestre de 2021. No entanto, por um esforço bilateral, uma remessa de 3 milhões de doses deve chegar nesta semana. Considerando que a vacina da Pfizer é a única tecnologia disponível no território nacional para vacinação na faixa etária de 12 a 17 anos, não é aceitável que adolescentes com comorbidades e deficiência permanente não estejam priorizados agora em junho para receber a vacinação para permitir que este grupo, que não tinha perspectiva de retorno escolar, possa retornar juntamente com os professores e trabalhadores que já estão sendo protegidos e crianças e adolescentes que não possuem essas condições de risco. Se não forem vacinados, será o único grupo prioritário que continuará sendo prejudicado pela falta de proteção vacinal. Não podemos admitir que isto ocorra.

 

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

*Doutor em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ex-Secretário Nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e atual Secretário de Serviços Integrados de Saúde do Supremo Tribunal Federal (STF). Pai da Liz!





Deixe um comentário







Instituto de Saúde Coletiva • Universidade Federal da Bahia • Rua Basílio da Gama, s/n • Campus Universitário do Canela • 40.110-040 • Salvador-Bahia • +55 71 3283-7441 / 3283-7468

© 2024 Observatório de Análise Política em Saúde. Todos os direitos reservados.