Por uma América Latina sem manicômios

Autor: Alessivânia Mota*
Publicado em: 25 de novembro de 2019
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

O presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Léo Pinho, em artigo de opinião publicado em outubro do corrente ano (Pinho et. al, 2019), afirmou que o que vem acontecendo com relação à Política Nacional de Saúde Mental no Brasil caracteriza-se como uma verdadeira CONTRAREFORMA porquanto consiste em um conjunto de ações contrárias ao que vinha sendo implementado desde a institucionalização das propostas emanadas do movimento antimanicomial responsável pela Reforma Psiquiátrica Brasileira.

De fato, os retrocessos impostos em ritmo acelerado em 2019, apesar de esperados por conta dos posicionamentos ideo-políticos defendidos pelo governo federal, não deixam de ser impactantes para os distintos atores sociais que se envolveram na construção da rede de atenção psicossocial (RAPS), espaço de experimentação de uma nova lógica de cuidado na área de saúde mental, nas últimas décadas. Por conta disso, vem se observando um inegável sofrimento ético-político entre aqueles que fizeram e fazem a história da saúde mental no país.

Como parte dessa comunidade, tenho vivido intensamente o mergulho nesse sentimento, que causa uma acentuada quebra de sentidos no projeto existencial, paralisando, ainda que momentaneamente, o esforço de resistir e reagir buscando analisar a atual conjuntura para identificar possibilidades de atuação estratégica, sem perder de vista os valores que inspiram meu cotidiano.

 

Nesse sentido, a minha participação no III Encuentro da Red LatinoAmericana y Del Caribe de Derechos Humanos y Salud Mental , ocorrido na cidade de Rosário, Argentina, em setembro último, constituiu uma experiência extremamente oportuna para repensar minha atuação neste cenário tão desalentador. Esta oportunidade decorreu do estágio de um mês realizado na Universidade Nacional de Lanús, como parte das atividades proporcionadas pelo convênio desta Universidade com o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA).

 

Leia aqui o ensaio na íntegra.

 

*Doutoranda em Saúde Coletiva do ISC/UFBA. Pesquisadora da área de saúde mental, assistente social.





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