“Poliocracia” e crise: Uma avaliação dos cem primeiros dias do governo

Autor: Carlos Zacarias de Sena Júnior*
Publicado em: 26 de abril de 2019
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

Nas proximidades de completar 100 dias de governo, o presidente Jair Bolsonaro, em sua transmissão semanal pelas redes sociais no último dia 4, afirma ter cumprido 95% das metas estabelecidas. Ao lado do general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e do ministro da Justiça Sérgio Moro, Bolsonaro afirmou ainda que os 5% dos compromissos restantes teriam sido “parcialmente atingidos” e que o governo estava lutando para cumprir 100% da meta projetada, até o prazo estabelecido.

Frente ao anúncio de Bolsonaro, a imprensa que não é chapa branca contestou o que lhe pareceu um exagero. Para quem vive numa realidade paralela e a cada inventa suas próprias verdades, entretanto, as palavras do presidente parecem ser bastante coerentes com o que, de fato, ele acredita que realizou e pensa que projetou. Numa eleição que ocorreu sem debates e que consagrou um candidato que apresentou um programa absolutamente genérico, escrito em 81 páginas de Power Point, o cumprimento das metas é apenas um detalhe e diante de jornalistas que se mostram surpresos frente à obviedade ululante do que representa o governo de Bolsonaro, o que temos é a confirmação do que já havíamos dito: o presidente governa com um discurso fascistizante.

Em que pese que Bolsonaro não tenha sido capaz de criar um partido fascista, que não tenha tido condições de mobilizar grupamentos paramilitares na dimensão alcançada pelas direitas que foram às ruas entre 2015 e 2016 no Brasil, a influência de Olavo de Carvalho sobre o presidente brasileiro, sua disposição de permanente conflito com o “outro” (a esquerda, as minorias, os jornalistas, os professores, o STF, o “marxismo cultural”) confirmam que a efetivação de um núcleo protofascista, que se movimenta pelas redes sociais e eventualmente desce às ruas, não pode ser ignorado por quem queira analisar os cem primeiros dias do bolsonarismo no poder e, mais importante, por quem se disponha a enfrentar nas ruas ou que seja sua potencial vítima.

 

Leia aqui análise na íntegra

 

*Doutor em História e pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH) da Universidade Federal da Bahia (UFBA)





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