Pandemia da Covid-19: a terceira onda ainda não acabou

Autor: Eduardo Mota
Publicado em: 28 de março de 2022
Atualizado em: 28 de março de 2022

Já foi dito que a gestão da crise sanitária causada pela pandemia da Covid-19 no Brasil foi politizada. Porém, considerando os desacertos na condução do combate ao novo coronavírus e suas consequências, já se viu mais politicagem ou má política do que outra coisa. É mais um exemplo recente disso a notícia de que se pretende suspender a situação de emergência de saúde pública, para transformar a pandemia em “endemia” e assim retirar a obrigatoriedade de máscaras e outras medidas protetivas (ver aqui). Este seria só mais um movimento de negacionismo científico se não fosse potencialmente trágico.

Em vigilância epidemiológica, uma doença é considerada endêmica quando tem presença constante em uma área, em geral com frequência relativamente baixa de novos casos, que não ultrapassa o valor esperado para cada mês ou período do ano. Como valor esperado, se toma a incidência média histórica e se admite uma banda de variação padrão. É necessário que este padrão de ocorrência persista por tempo suficiente para que se estabeleça um nível endêmico esperado. Entre as doenças infecciosas, tuberculose, por exemplo, é uma doença endêmica no Brasil. Mas, não há nada na curva da evolução de novos casos e óbitos pela Covid-19 que indique que a pandemia se apresenta atualmente dessa maneira. Ao contrário, a situação ainda é de característica epidêmica e potencialmente explosiva, como se pode observar no gráfico da evolução da média diária de novos casos da doença.





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