O projeto socialista democrático
Autor: André Singer*
Publicado em: 20 de dezembro de 2021
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022
O texto a seguir começou a ser escrito por ocasião da “Décima-primeira Jornada sobre o Socialismo no Século 21”, promovida pela Fundação Perseu Abramo (FPA) e o Partido dos Trabalhadores (PT), em 28 de agosto de 2021, cujo convite agradeço. O tema que me coube foi “Socialismo petista”. Para participar, decidi rever as resoluções do partido a respeito do tema e reler três livros de Paul Singer sobre o socialismo, considerando que estes haviam, de algum modo, influenciado as primeiras. Posteriormente, desenvolvi as notas de maneira que servissem como Apresentação a Uma Utopia Militante e Outros Escritos Sobre o Socialismo, que a editora Unesp, em parceria com a Fundação Perseu Abramo, publicará no primeiro semestre de 2022, abrindo a Coleção Paul Singer.
No artigo abaixo, versão ligeiramente modificada do que preparei como Apresentação, creio ter condensado algumas observações que gostaria de oferecer às companheiras e companheiros do PT. Fico devendo uma segunda metade, em que as ideias de Singer, de acordo com minha interpretação, deveriam ser diretamente contrastadas com as deliberações do partido. Se o tempo for amigo, ela virá.
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Paul Singer passou a frequentar o Partido Socialista Brasileiro (PSB), na Praça da Sé, marco zero de São Paulo, meio por acaso. Adolescente, trabalhava como auxiliar de escritório no centro da cidade. No fim do dia, antes de voltar para a casa da mãe, com quem tinha fugido de Viena em 1940, fazia hora na sede partidária, onde ficava lendo o material disponível.
Estamos falando, provavelmente, de 1948, quando o autor em pauta era adolescente. O PSB havia obtido reconhecimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em agosto do ano anterior e acabaria dissolvido pelo Ato Institucional Número 2, da ditadura militar, em 1965. Então, Singer, 33, já tendo sido dirigente da agremiação na capital paulistana, ficou por algum tempo sem partido. O PSB ressurgiria, em 1985, mas aí Singer pertencia às fileiras do Partido dos Trabalhadores (PT), que ajudara a fundar em 1980, e no qual ficou até o fim da vida, em 2018. A militância socialista, ainda que nunca de tipo profissional, esteve no seu cotidiano, portanto, desde cedo, dotando-o de um espírito igualitário que se expressava até na delicadeza dos pequenos gestos.
O velho PSB defendia a tese de Karl Kautsky, segundo a qual não poderia haver socialismo sem democracia. O programa afirmava que “o Partido tem como patrimônio inalienável da humanidade as conquistas democrático-liberais, mas as considera insuficientes, como forma política, para se chegar à eliminação de um regime econômico de exploração do homem pelo homem”. Quanto à propriedade, o caderno programático de dezesseis páginas que, amarelado, estava entre os pertences deixados por Singer, rezava: “a socialização realizar-se-á gradativamente, até a transferência, ao domínio social, de todos os bens passíveis de criar riqueza, mantida a propriedade privada nos limites da possibilidade de sua utilização pessoal sem prejuízo do interesse coletivo”.
Clique aqui e leia o artigo na íntegra.
Publicado originalmente em Teoria e Debate.
*Professor titular do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo. Autor de Os Sentidos do Lulismo (Companhia das Letras, 2012) e O Lulismo em Crise (Companhias das Letras, 2018), entre outros livros. Filiado ao PT.
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