O não ser como forma de ser: mulheres. Somos de nós e por todes!*

Autor: Paloma Silveira**
Publicado em: 3 de agosto de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Identidade
Ventres que
Gritam, Metralhados
Partos Lacrimosos
Salpicam …
Eis a hora que ainda
Ladra sucinta a agonia
De um berço de Brasis a
Exasperar tua tonalidade plural em
Assistencialismo.
Eis a mulher rente a sua
força, conduta a rebater
O atropelamento de
Descaso a sua vil
Existência.
Shaina Marina
(Integrante do grupo Nós, as Poetas!)

 

Nesta pandemia/pandemônio, o mundo que já era bem hostil e violento conosco, mulheres, tem se tornado cada vez pior. Viver em lugares onde se reproduzem diferentes opressões machistas, racistas, LGBTfóbicas, capacitistas, dentre outras, que se articulam e conformam o não ser como forma de ser, impõe às nossas existências distintas rexistências. Ao longo das nossas vidas, ouvimos constantemente “nãos”. Não faça isso! Não seja assim! Isso não é adequado para você! Você não é uma mulher! Mulher não pode!

Nesses “nãos” também encontramos os “sins”, pois eles estão imbrincados, já que quaisquer normas sociais são construídas incluindo seus opostos. No caso, até os “sins” se configuram como uma maneira de não ser. Seja mãe! Boa mulher, mãe e esposa! Trabalhe e cuide da casa! Você é a base da Sua Família! Cuide dos outros! Dentro desse não ser como forma de ser somos de senhores e sinhás, de maridos e patrões/as, de filhos/as e pais, do Estado, do abandono e de nós mesmas? “Nossas” vidas são determinadas, em boa medida, por esses outros. Controles explícitos e sub-reptícios, por vezes travestidos por algum tipo de amor? Somos/fomos tolhidas e domesticadas para servir e cuidar, porém, sempre rexistimos.

 

Leia aqui o texto na íntegra.

 

*Dedico este texto a todas as mulheres que me constituíram, minhas ancestralidades, e que me constituem. Agradeço a leitura, contribuições e incentivos de Aninha, Gurgel, Emanuelle Góes, Leonildo Silva, Carmen Teixeira e Jairnilson Paim.
**Mulher cis, heterossexual, reconhecida socialmente como branca, professora, psicóloga e às vezes artista. Mestra em Psicologia pela UFPE e Doutora em Saúde Coletiva pelo ISC/UFBA.

 

 





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