“O governador em seu labirinto”: A difícil situação dos governadores do Nordeste face à pandemia de Covid-19
Autor: Carmen Teixeira*
Publicado em: 8 de junho de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
“O céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim”
(epitáfio de Kant)
O Comitê Científico do Consórcio Nordeste lançou recentemente um boletim que aponta os riscos da flexibilização prematura das medidas de isolamento/distanciamento social adotadas nos estados e municípios da região. O texto é claro e fartamente ilustrado com tabelas e gráficos que dão suporte aos argumentos apresentados, conduzindo o leitor a compreender a complexa combinação de fatores considerados na análise da situação atual e das tendências de evolução do número de casos e óbitos por COVID-19, apontando as consequências negativas de uma decisão dessa natureza, ou seja, da abertura precipitada do comércio, das áreas de lazer e da volta às aulas e outras atividades.
Cumprindo o papel para o qual foi criado, o Comitê Científico do Consórcio NE oferece, assim, subsídios para a tomada de decisão dos governadores e prefeitos, constituindo aquilo que, na área de Planejamento e Gestão em Saúde, consideramos ser a racionalidade técnico-científica, que compõe o conjunto de “racionalidades” envolvidas no processo decisório diante de um problema de saúde da população, neste caso a pandemia de COVID-19, que exige respostas por parte do Estado, através de normas, planos e projetos de ação voltados ao enfrentamento dos seus determinantes e efeitos.
Apesar da clareza de exposição e do rigor metodológico que preside e permeia o texto do boletim, é necessário reconhecer que a decisão dos dirigentes governamentais envolve outras racionalidades, principalmente uma racionalidade política baseada no cálculo estratégico de ganhos e perdas de poder que uma determinada decisão acarreta. Ou seja, na avaliação ex-ante dos efeitos da decisão x ou y na acumulação ou desacumulação do poder, em outras palavras, no capital político adquirido por conta do apoio dos eleitores ao seu projeto de governo e da sua capacidade de gestão do Estado, isto é, das instituições e das políticas públicas.
Leia aqui a análise na íntegra.
*Doutora em Saúde Pública pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA). Docente do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC/ UFBA) e do ISC/UFBA.
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