O fracasso global do enfrentamento da pandemia
Autor: Luis Eugenio de Souza, Márcia Castro, Eduardo Hage e Maurício Polidoro
Publicado em: 30 de março de 2022
Atualizado em: 30 de março de 2022
A pandemia que eclodiu no início de 2020 não foi, de modo algum, uma surpresa. Pelo menos desde 2015, a Organização das Nações Unidas previa a possibilidade dessa ocorrência: o High-Level Panel on the Global Response to Health Crises, reunido em abril para extrair lições da epidemia de Ebola, recomendou a realização de uma cúpula mundial sobre crise global em saúde pública com a participação das mais altas autoridades dos Estados-membros, para preparar o sistema multilateral e cada país para futuras ameaças à segurança humana representadas por novas epidemias. Essa cúpula nunca se realizou.
Bem antes disso, em 1992, o Comitê sobre Ameaças Microbianas Emergentes à Saúde do Instituto de Medicina dos Estados Unidos concluía, em seu relatório, que “o próximo agente infeccioso a emergir como uma ameaça à saúde (…) pode ser um patógeno que não tenha sido previamente reconhecido”. Como principais fatores relacionados à emergência dessa ameaça, o Comitê identificava: (a) demografia e comportamento humano, (b) tecnologia e indústria, (c) desenvolvimento econômico e uso da terra, (d) viagens e comércio internacional, (e) adaptação e mudança microbiana e (f) colapso das medidas de saúde pública.
Já na década seguinte, a pandemia causada pelo primeiro coronavírus (SARS-CoV) em 2002 e 2003, o surgimento e a disseminação de cepas de vírus influenza que poderiam quebrar a barreira de transmissão animal-homem (em especial, o H5N1) e a pandemia provocada pelo vírus influenza H1N1 em 2009 alertavam o mundo sobre a necessidade de uma melhor preparação global.
E, no entanto, apesar de estudos e alertas, o aparecimento de um novo coronavírus em Wuhan encontrou despreparados os países e o todo sistema das Nações Unidas.
Como, então, o sistema multilateral e os países, vistos em conjunto, lidaram com a emergência da Covid-19?
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