O fascismo está aqui, mas será derrotado!
Autor: Graça Druck e Luiz Filgueiras
Publicado em: 7 de novembro de 2022
Atualizado em: 7 de novembro de 2022
A diferença de 1,8 ponto percentual a favor de Lula, que lhe deu a vitória sobre Bolsonaro, embora estatisticamente pequena, expressa na verdade uma vitória gigante de Lula e da esquerda; mas, sobretudo, uma vitória extraordinária das forças democráticas do país sobre o neofascismo. Como todos sabem, essa não foi simplesmente mais uma eleição na história do Brasil.
As forças democráticas derrotaram Bolsonaro, sua família e suas milícias digitais e físicas, entranhadas nas redes sociais e presentes em algumas localidades do país, que atuaram espalhando milhares de mensagens absurdamente mentirosas, constrangendo fisicamente eleitores e promovendo todo tipo de violência simbólica e física, inclusive assassinatos.
As forças democráticas derrotaram o Estado brasileiro instrumentalizado despudoradamente pela campanha de Bolsonaro: mudanças na Constituição (com a compra de voto de parlamentares através do “orçamento secreto”) em ano eleitoral (ilegal), para permitir os gastos astronômicos que foram feitos às vésperas da eleição; uso criminoso da Polícia Rodoviária Federal no dia da eleição para dificultar e impedir que eleitores chegassem aos locais de votação (sobretudo no Nordeste); prefeituras pró-Bolsonaro reunindo pessoas do Auxílio Brasil para chantageá-las e ameaça-las de não conseguirem acessar o benefício se não votassem no 22, como ocorreu no município de Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, demonstrado in loco (com imagens e testemunhos) por reportagem realizada pelo repórter Caco Barcellos (ameaçado quando trabalhava).
As forças democráticas derrotaram o uso político generalizado da religião por parte, sobretudo, das principais igrejas neopentecostais, transformadas em verdadeiros partidos políticos fascistas. Comandadas por conhecidos pastores bolsonaristas e com fortes interesses econômicos e políticos, praticaram assédio religioso às claras: afastamento dos divergentes da Igreja, satanização de Lula e ameaça com o fogo do inferno para os seus eleitores, uso do púlpito como palanque político, distribuição de panfletos mentirosos etc.
Por isso, a vitória de Lula, da esquerda e de todas as forças políticas democráticas foi gigantesca e inapelável. No entanto, estamos assistindo desde a decretação pelo Superior Tribunal Eleitoral (STE) da vitória de Lula, ações antidemocráticas de não reconhecimento do resultado das urnas – claramente estimuladas pelo comportamento do ainda Presidente da República: total silêncio durante quase 48 horas após o anúncio da vitória de Lula e, em seguida, um discurso pífio de dois minutos dirigido aos seus eleitores – no qual não reconheceu explicitamente a sua derrota e a lisura das urnas eletrônicas.
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