O desafio de um tratamento medicamentoso contra a Covid-19: uma perspectiva do ponto de vista da regulação sanitária
Autor: Eixo Políticas de Medicamentos, Assistência Farmacêutica e Vigilância Sanitária do OAPS*
Publicado em: 27 de abril de 2020
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022
A pandemia do novo coronavírus tem se colocado como um desafio para o mundo. As consequências sociais, econômicas e sanitárias estão a todo tempo colocadas com diferentes preocupações e prioridades. Especialmente para o campo da saúde coletiva os desafios são maiores, tendo em vista que ainda não existem tratamentos ou vacinas aprovadas para a doença com comprovada segurança e eficácia.
Em se tratando da (in)disponibilidade de recursos terapêuticos capazes de mudar a realidade que a infecção pelo novo coronavírus impôs, os medicamentos, com toda complexidade e multiplicidade de sentidos, ganham protagonismo, pois compõem um dos problemas centrais enfrentados no campo da saúde coletiva que decorre da centralidade, da importância e das múltiplas relações que os medicamentos estabelecem no contexto da saúde, no complexo produtivo e na vida das pessoas, revelando as diversas dimensões que estes assumem. Costa e colaboradores (2016) sinalizam que, na perspectiva da saúde coletiva, os medicamentos assumem outras dimensões além da dimensão técnica e agregam dimensões de natureza econômica, social, política, sanitária e cultural/simbólica.
Nas últimas semanas, o debate envolvendo o uso de cloroquina e hidroxicloroquina ganhou destaque no Brasil e no mundo pela disputa que se estabeleceu entre conhecimento científico e crenças relacionadas aos potenciais benefícios que estes medicamentos produziriam (ou não) sobre o novo coronavírus, quando se mesclam expectativas, interesses econômicos e políticos.
Nessa perspectiva, este ensaio pretende identificar os principais fatos sociais e políticos relacionados ao uso da hidroxicloroquina e cloroquina no Brasil, produzidos pelo Ministério da Saúde (MS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em contraponto com o posicionamento dos sujeitos/atores/agentes políticos sobre esta questão. Utilizou-se o banco de notícias do eixo temático Políticas de Medicamentos, Assistência Farmacêutica e Vigilância Sanitária do Observatório de Análise de Política em Saúde (OAPS), coletadas desde o período da identificação do primeiro caso confirmado da doença no país. Adicionalmente, realizou-se a coleta de notícias divulgadas na internet, publicadas em mídias de grande circulação do Brasil e de alguns países, utilizando os descritores “Hidroxicloroquina”, “COVID-19” e “medicamentos”.
Leia aqui o texto na íntegra.
* Patrícia Sodré Araújo; Ediná Alves Costa; Gisélia Santana; Juliana Santos Rocha; Roberta Ingrid Silva Evangelista; mylle Cardoso Dias Da Cruz; Carla Freitas Benamor Sandes; Laise Caroline Costa Soares; Yara Oyram Ramos Lima
Deixe um comentário