Nova emergência de saúde mostra que Mpox não pode seguir sendo tratada como uma doença negligenciada pelo mundo

Autor: Mellanie Fontes-Dutra
Publicado em: 28 de agosto de 2024
Atualizado em: 31 de outubro de 2024

Em 14 de agosto de 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (ESPII) para a Mpox, uma doença, por muito tempo, negligenciada. A declaração tem como contexto o aumento de casos na República Democrática do Congo (RDC) e em um número crescente de países da África, trazendo riscos para um espalhamento maior dentro e fora do continente africano. Não é a primeira vez que uma ESPII é declarada para a Mpox – a declaração anterior ocorreu há cerca de dois anos, em que muitos conheceram esta doença, a qual afeta países da África Ocidental e Central há décadas.

A Mpox é uma doença infectocontagiosa, causada por um vírus (monkeypox virus ou MPXV), do mesmo gênero (Orthopoxvirus) do vírus causador da varíola humana. Anteriormente, era conhecida como “varíola dos macacos” (ou monkeypox, em inglês), mas em 2022, no mesmo período em que a primeira ESPII foi decretada, a OMS renomeou a doença. Naquele momento, a vacinação, somada ao monitoramento de casos e à conscientização dos mecanismos de transmissão da doença, auxiliaram no controle dos surtos, e a ESPII foi dada como encerrada em 2023.

Porém, o vírus continuou circulando, especialmente nos países endêmicos onde o acesso às vacinas foi considerado “baixo ou inexistente”. Isso cria uma combinação perigosa, trazendo riscos para o surgimento de versões do vírus com características pertinentes à saúde pública. O clado II do MPXV (clados são agrupamentos de vírus com características similares, e que têm um ancestral comum, conceito próximo do que observamos com as variantes da Covid-19), associado com a ESPII de 2022, teve uma circulação reduzida, enquanto o clado I ganhou mais espaço na África Central, incluindo a RDC. Com aumento progressivo de casos na RDC, atingindo um recorde de 14.626 casos em 2023, uma nova linhagem do clado I foi detectada, relacionada com uma transmissão entre humanos mais sustentada.





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