Mulheres vítimas de estupro, o que os números dizem?
Autor: Emanuelle Goes
Publicado em: 7 de junho de 2016
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
33 homens
33 homens esperando
33 homens esperando a novinha
33 homens esperando a novinha pro abate
Carne fresca no mercado
As vezes em promoção é mais barata
Depois de passada
Descarta-se
Ela segue morta
Demorei um pouco para escrever sobre esta temática, a cultura do estupro, porque ainda estava digerindo tudo que aconteceu sobre o estupro coletivo. Fiquei pensando sobre o que iria escrever, pois as minhas irmãs, muitas delas, já tinham escrito e falado por mim, no entanto, inquieta continuei.
Em alusão ao dia internacional de redução da mortalidade materna e o dia pela saúde da mulher, o dia 28 de maio, sempre escrevo textos relacionados à saúde reprodutiva, apresento dados sobre as desigualdades raciais e os serviços de saúde reprodutiva. Neste ano vou escrever sobre a violência contra a mulher, especificamente o estupro, considerando que a violência contra as mulheres é um problema de saúde pública.
Apresentarei alguns dados capturados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, pois a violência é um agravo de notificação compulsória. Levantei alguns dados e apresentarei o perfil das mulheres que entram no serviço de saúde por conta do estupro.
Para Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres, a violência contra a mulher é “a violação de direitos humanos mais tolerada no mundo”. A violência contra as mulheres acontece em muitas partes do mundo, e em muitos lugares essa prática é legalizada sobre a égide do patriarcado e da relação de opressão e poder que as mulheres estão submetidas. As relações desiguais de gênero são estruturantes em qualquer contexto social, econômico e cultural.
Pois, gênero não se resume a uma categoria analítica, mas também histórica, podendo ser concebido em várias instâncias, através de símbolos culturais evocadores de representações, conceitos normativos como grade de interpretações de significados, apresentando divisões e atribuições assimétricas de características e potencialidades (SAFFIOTI, 2004).
Os dados sobre o estupro são alarmantes, na Índia calcula-se que a cada 20 minutos uma mulher seja estuprada e o estupro coletivo tem uma alta frequência no país. No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, segundo os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no final de 2015 – devemos levar em consideração que estes dados, muito provavelmente, são subnotificados, pois tem serviços que não alcançam as mulheres vítimas do estupro.
No ano passado o mundo viu a violação dos direitos sexuais das mulheres, quando centenas de mulheres e meninas sequestradas pelo grupo terrorista Boko Haram foram estupradas, uma ou mais vezes, como parte de uma estratégia para dominar e subjugar os moradores da área rural, no norte da Nigéria. Segundo os dados das Nações Unidas, cerca de 120 milhões de meninas com idade inferior a 20 anos em todo o mundo (1 em cada 10) experienciaram relações sexuais abusivas ou outros tipos de atos sexuais forçados.
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