Justiça reprodutiva e as mulheres negras brasileiras
Autor: Emanuelle Goes*
Publicado em: 22 de outubro de 2021
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022
“As mulheres negras brasileiras opuseram o direito pleno à vida e à felicidade não apenas enquanto indivíduos, mas enquanto membros de uma mesma comunidade de destino” (Declaração de Itapecerica da Serra, 1993).
Quando acionamos a justiça reprodutiva, temos pontos de confluências entre o que o movimento de mulheres negras reivindicava na declaração de Itapecerica da Serra (1993) e a justiça reprodutiva, conceito criado pelo movimento de mulheres afro-estadunidenses, latinas e asiáticas após a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, no Cairo, em 1994.
O movimento de mulheres negras estadunidenses, latinas, indígenas e asiáticas lança sentidos na criação da justiça reprodutiva, que reconhece as singularidades das mulheres e suas especificidades, assim como os contextos em que estão inseridas e o fato de que são atravessadas pelo racismo, classismo, patriarcalismo e opressões correlatas. Com isso, parte do entendimento que a justiça reprodutiva fornece um ambiente político para um conjunto de ideias, aspirações e visões que engloba todas as questões relacionadas à justiça social e aos direitos humanos.
No Brasil, o movimento de mulheres negras declarou no documento de Itapecerica da Serra que a liberdade reprodutiva era essencial para as raças discriminadas e reivindicou do Estado brasileiro a garantia dos direitos reprodutivos, assegurando condições para a manutenção da vida, necessárias para que as mulheres negras pudessem exercer a sua sexualidade e seus direitos reprodutivos, controlando a sua própria fecundidade, decidindo se querem ou não ter filhos. Para tanto, afirmavam que o Estado deveria garantir informações e acesso a serviços de saúde para atenção de boa qualidade à gravidez, ao parto e ao aborto.
Clique aqui e leia na íntegra.
Publicado originalmente em Nexo Jornal.
*Enfermeira, Doutora em Saúde Pública (ISC/UFBA) e blogueira do População Negra e Saúde.
Deixe um comentário