Introdução às Teorias de Ação Social

Autor: Camila Ramos Reis
Publicado em: 18 de outubro de 2022
Atualizado em: 18 de outubro de 2022

O estado da arte da Política, Planificação e Gestão em saúde compreende a produção de conhecimentos científicos sobre múltiplos processos políticos, técnicos e administrativos, especialmente no âmbito do SUS. Constata-se certa conexão entre a produção científica e os problemas e desafios enfrentados no âmbito político-institucional (Teixeira et al, 2014; Santos e Teixeira, 2016).
 
Os diálogos em torno da prática teórica e política, ancorada na produção de uma teoria social da saúde, possibilitou o surgimento da Saúde Coletiva (SC) comprometida com a produção de conhecimentos e a Reforma Sanitária Brasileira (RSB) como componente da luta pela democratização da saúde e parte de uma reforma social (Paim, 2008). Schraiber (2015), ao afirmar que o campo da SC articulou a ciência e a política como prática científica e profissional, chama atenção para a contribuição teórica dos estudos e certo adensamento conceitual que amplia ou aprofunda o conhecimento existente. Admite, entretanto, que identificou diversos trabalhos com uma certa rarefação teórica, ou seja, que não apresentavam um adensamento reflexivo acerca da realidade concreta e particular pesquisada, considerando as questões sociais culturais ou históricas mais amplas (Schraiber, 2015). Assim, os quadros teóricos de referência das pesquisas precisariam explicitar quais os termos, definições, concepções, noções, conceitos ou categorias de análises que pretendem utilizar para a construção do pensamento crítico.

E como poderíamos melhorar essa questão apontada por Schraiber (2015) e reiterada por outros autores (Esperidião, 2018; Teixeira et al, 2014; Santos e Teixeira, 2016)? Quais as possibilidades e caminhos para a construção teórica das teses em desenvolvimento na SC? 

Para construir os projetos de pesquisa na SC, partimos de uma pergunta de investigação, que pode ter relação com a gestão ou militância, e deve ser embasada após uma revisão de literatura para identificar as lacunas de conhecimentos sobre o tema/objeto investigado. Podemos nos amparar em diferentes teorias, dentre elas a dos sistemas, teorias da ação, teoria da planificação, ou mesmo as teorias das organizações. 

Contudo, é na articulação entre a teoria e o material empírico, na interpretação acerca da realidade que se desenvolve a prática teórica, ou seja, a “viagem de volta”, característica fundamental para a elaboração teórica. Neste particular, o marxismo afirma que o significado de teoria não se reduz à descrição sistemática de um objeto e construção de modelos explicativos, tal como ocorre na tradição empirista ou mesmo na positivista (Netto, 2011). Assim, é através da teoria que o sujeito reproduz o pensamento da estrutura e da dinâmica do objeto, e o pesquisador deve ir além da aparência para alcançar a essência. Assim, a abordagem realizada por Mendes-Gonçalves (1994) apresenta uma fundamentação marxista e pode ajudar na construção teórica do quadro de referência das teses. 

Nesse sentido, o presente texto tem como objetivo a produção de reflexões sobre elementos para uma epistemologia marxista e para Teorias da Ação Social. Tomou-se como ponto de partida as seguintes questões norteadoras: Quais as características e fundamentos teóricos das principais correntes da planificação em saúde no Brasil e na América Latina? Quais as contribuições das teorias da ação para a fundamentação e renovação da Política, Planificação e Gestão em Saúde? Quais os novos objetos e novas questões postos para a teoria em relação a essa área temática diante do contexto latino-americano e das tendências dos sistemas de serviços de saúde? Quais as principais perguntas ou lacunas do conhecimento em relação ao estado da arte dessa área temática?  





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