Introdução à compreensão e crítica do pensamento estratégico em saúde

Autor: Camila Ramos Reis
Publicado em: 3 de novembro de 2022
Atualizado em: 3 de novembro de 2022

 

O pensamento estratégico apresentado por Mario Testa extrapola o setor saúde, propondo uma reflexão com a perspectiva de construir um pensamento crítico e uma práxis transformadora da realidade social (Federico, 2015). A construção teórica conceitual proposta pelo autor se apresenta como uma grande contribuição para a Saúde Coletiva (SC), especialmente, para a área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde. Nesta perspectiva, se articula com a corrente da análise política em saúde. 

O presente texto tem como objetivo a produção de reflexões críticas sobre o pensamento estratégico em saúde. Tomou-se como ponto de partida as seguintes questões norteadoras: Quais as características e fundamentos teóricos das principais correntes da planificação em saúde no Brasil e na América Latina? Quais as contribuições das teorias da ação para a fundamentação e renovação da Política, Planificação e Gestão em Saúde? Quais os novos objetos e novas questões postos para a teoria em relação a essa área temática diante do contexto latino-americano e das tendências dos sistemas de serviços de saúde? Quais as principais perguntas ou lacunas do conhecimento em relação ao estado da arte dessa área temática?

Inicialmente, cabe chamar a atenção para o fato de que a obra de Testa se ancora na práxis sócio-sanitária, vinculada ao materialismo histórico. Nesse sentido, cabe destacar a importância de contextualizar categorias de análise, objetos de estudos, problemas de investigação, métodos e estratégias (Federico, 2015). 

Como podemos interpretar esta proposta? Certamente, o autor convida a pensar sobre os objetos, evitando reproduzir uma colcha de retalhos, quando métodos e estratégias são adotados sem refletir a realidade. Nesse sentido, Testa dialoga com Marx e o marxismo (Federico, 2015). 

O pensamento estratégico parte de uma definição para a estratégia. O autor discute diferentes estratégias , a partir das políticas que emergiram da história. Estas se ligam à forma como as organizações se comportam em relação à superação dos problemas, representando possibilidades para conquistar o poder (Testa, 1995). Deste modo, ressalta a importância de diferenciar a história de um episódio histórico (abstração). A compreensão da história concreta, considerada em suas múltiplas determinações, cria uma consciência social verdadeira capaz de constituir atores sociais construtores da história.

O pensamento estratégico, formulado e sistematizado pelo argentino Mario Testa, é fruto de uma autocrítica da sua própria atuação técnica e política durante as décadas de 60 e 70, além da crítica sobre a teoria da ação racional proposta pelo economista chileno Carlos Matus. Representa um mobilizador de sujeitos (Federico, 2015), que direciona uma ação política em saúde visando à transformação da sociedade e tendo o poder como categoria de análise central. É um pensamento sobre o poder (Testa, 1995).





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