Impressões de uma estreia na 15ª Conferência Nacional de Saúde
Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição - Jornalistas do Observatório de Análise Política em Saúde
Publicado em: 18 de dezembro de 2015
Atualizado em: 25 de dezembro de 2021
A Conferência Nacional de Saúde incita paixões. A constatação pode ser clichê, mas é irresistível para quem habita este espaço de luta e debate pela primeira vez. Saímos de Salvador rumo a Brasília com a missão de fazer uma cobertura jornalística da 15ª Conferência Nacional de Saúde (15ª CNS) para o Observatório de Análise Política em Saúde, tarefa desafiadora, principalmente quando levamos em conta a diversidade de pautas e as múltiplas formas de defesa da saúde pública, gratuita e de qualidade para a população brasileira.
A 15ª Conferência aconteceu em Brasília, de 1º a 4 de dezembro, e reuniu cerca de 3 mil pessoas. Em meio à multiplicidade de atores e vozes presentes, o consenso percebido foi a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da própria conferência como instrumento importante e democrático de controle social. Isso era visível em cada canto do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, local onde o evento ocorreu.
A 15ª CNS foi realizada em um ano cujo contexto político relacionado à saúde é fortemente marcado por propostas que ameaçam conquistas históricas e iniciativas muito criticadas pelas entidades e organizações comprometidas com o fortalecimento do SUS. A conferência, e a cobertura jornalística dela, começou então com um ato político: a “Marcha em Defesa do SUS”. A alta temperatura não afugentou os manifestantes, que segundo a organização somaram 10 mil, entre integrantes de movimentos sociais, gestores, profissionais de saúde, estudantes e militantes de vários estados brasileiros. A tônica da marcha – protestos, coros em defesa do SUS, manifestações culturais e presença de representantes de entidades e políticos (que aproveitavam o microfone para registrar seus discursos) – se repetiu ao longo do evento.
A informalidade da Marcha contrastou com a abertura oficial da conferência, marcada por um cerimonial com direito a Hino Nacional, desfile de bandeiras e tambores (além de problemas no credenciamento) e pela presença do ministro da Saúde, ex-ministros, políticos e autoridades. Mas a primazia da oficialidade parou por aí. As demais mesas e debates acompanhados mais de perto durante a cobertura do evento, ainda que poucos diante da programação variada, foram marcados por manifestações barulhentas e apaixonadas. As motivações iam desde o descaso histórico do Estado com o SUS, a importância da conferência enquanto espaço de construção das políticas de saúde, até o inimigo comum de todos ali – Eduardo Cunha. O visual fora e dentro do centro de convenções deixava claro: em todo o espaço havia faixas, cartazes e elementos usados politicamente para marcar a defesa do SUS.
E então veio o impeachment…
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