Entenda como a crise do capitalismo aprofunda o colapso ambiental em nosso planeta

Autor: Maurício Botelho*
Publicado em: 27 de novembro de 2021
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

É difícil acompanhar a sucessão de destruição florestal e de ecossistemas pelo fogo. Nos últimos anos, um círculo infernal de incêndios foi visto na América, Europa, África, Oceania e até mesmo nas terras frias do Ártico, na superfície da tundra ou identificado sob a camada congelada. Florestas tropicais ou temperadas, pântanos e savanas, tudo está servindo de combustível, alimentando o fogo insaciável que devasta não apenas ambientes “naturais”, mas também fazendas e aldeias ou mesmo casas suburbanas, resorts turísticos e bairros populares.

 

Essa desgraça global aciona imediatamente três tipos de negacionismo. Primeiro, aquele que nega qualquer vinculação dos incêndios com a mudança climática mundial. Mas é preciso diferenciar a negação tout court das alterações atmosféricas com o cuidado “científico” com a “causa particular” dos incêndios, ou seja, quem aceita por princípio a tese do aquecimento global, mas nega os seus efeitos. O terceiro negacionismo tem origem “semiótica”: como tudo agora é narrativa e representação, a proliferação de imagens de florestas queimando nas TVs é enxergada como decorrente do exagero, da onipresença dos próprios meios de comunicação disponíveis.

 

É claro que determinados biomas têm o fogo como parte integrante de sua ecologia, assim como muitos incêndios foram provocados conscientemente (o “dia do fogo” na Amazônia, por exemplo). Também é evidente que há muito mais construções avançando hoje sobre áreas ecologicamente inflamáveis e o acesso instantâneo às cenas de mansões suburbanas torrando na Califórnia ou de ilhas gregas queimando acrescenta uma dimensão nova para a percepção da “opinião pública” mundial.

 

Mas o negacionismo epistemológico que acredita que a destruição é exagerada pela sua representação midiática e a falsa humildade metodológica que recusa aceitar os efeitos das transformações mundiais têm o mesmo efeito anestésico do negacionismo climático: a objetividade social não é de modo algum questionada como a base para a devastação ambiental.

Clique aqui e leia a análise na íntegra.

 

Publicado originalmente em Diálogos do Sul.
*Professor de geografia urbana da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e autor do artigo “Crise urbana no Rio de Janeiro: favelização e empreendedorismo dos pobres”, que integra o livro Até o último homem: visões cariocas da administração armada da vida social, organizado por Pedro Rocha de Oliveira e Felipe Brito (Boitempo, 2013), e do artigo “Guerra aos ‘vagabundos’: sobre os fundamentos sociais da militarização em curso”, publicado na revista Margem Esquerda #30. Também é organizador do dossiê “Crítica do valor”, da Margem Esquerda #35. Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.





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