Ensinamentos da Reforma Psiquiátrica para os tempos de pandemia*

Autor: Autoria coletiva
Publicado em: 18 de maio de 2021
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

A luta antimanicomial traz a compreensão de que os problemas mentais não são apenas diagnósticos psiquiátricos

 

Mônica de Oliveira Nunes de Torrenté
Deivisson Vianna Dantas dos Santos
Claudia Maria Filgueiras Penido
Rosana Teresa Onocko Campos
Rossano Cabral Lima
Ana Maria Fernandes Pitta
Simone Mainieri Paulon**

 

Muitas vezes entendida apenas como uma política que fechou manicômios e abriu serviços comunitários de saúde mental, os CAPS, a Reforma Psiquiátrica brasileira, materializada pela lei 10.216/2001 e registrada no calendário das efemérides pelo 18 de maio, dia da luta antimanicomial, é muito mais do que isso.

Com origens no final da década de 1970, o movimento da Reforma e da luta antimanicomial traz a compreensão de que os problemas mentais não são apenas diagnósticos psiquiátricos. É uma luta pelo reconhecimento de que cada sujeito é singular e, portanto, deve ser acolhido à luz dos seus contextos e histórias. Desta forma, podemos compreender e lidar com o sofrimento de maneira mais ampla.

Este entendimento defendido pela atenção psicossocial da Reforma Psiquiátrica nunca fez tanto sentido como na conjuntura atual. Vivemos uma crise que não é apenas sanitária, mas econômica, social e ambiental.

 

Ficamos “depressivos” com a epidemia de uma doença que sufoca e nos obriga a um luto sem fim. Ficamos “ansiosos” com o aumento vertiginoso do desemprego nos últimos anos e a quebra de vários negócios sem apoio do governo.

Ficamos “insones” quando constatamos o retorno da fome em diversos indicadores nacionais. Nossa autoestima se esvai ao assistirmos nossas florestas serem queimadas e nossa ascensão como párias internacionais. Por fim, ficamos “paranoides” com a ameaça constante de um retorno à ditadura e ataques frequentes à democracia.

 

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

 

* Texto publicado originalmente no portal Brasil de Fato.

** Os autores são pesquisadoras e pesquisadores do GT Saúde Mental da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).





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