Desigualdades em saúde em nível global

Autor: Arthus Torres de Souza*
Publicado em: 4 de abril de 2018
Atualizado em: 5 de janeiro de 2022

Resenha de ‘BARRETO, Mauricio Lima. Desigualdades em Saúde: uma perspectiva global. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 22, n. 7, p. 2097-2108, Julho 2017’.

 

O artigo referenciado traz à tona a discussão sobre as desigualdades em saúde como frutos de processos adaptativos/ambientais e fenômenos eventuais, bem como de processos históricos, socioeconômicos ou culturais dotados de complexa natureza. Estas condições, outrora vistas como diferenças, transformam-se em desigualdades – quiçá iniquidades – à medida que são expostas a relações de poder ou a fatores como acesso e posse a bens e serviços desigualmente distribuídos na população.

Num paralelo direto, o texto relaciona as desiguais condições de saúde dos diferentes grupos populacionais à transferência das desigualdades da esfera social ao campo da saúde, cuja visibilidade transparece nos distintos níveis de riscos à saúde e no acesso diferenciado da população aos recursos do sistema de saúde. Estas desigualdades na saúde geram, portanto, desiguais possibilidades de usufruir dos avanços técnicos e científicos da área, assim como produzem distintas chances de exposição aos determinantes de saúde e doença, e do adoecer e morrer. De tal forma que essas desigualdades têm persistido de forma global, independente do grau de desenvolvimento alcançado pela nação, sendo diferenciadas em desigualdades entre os países e dentro de um mesmo país. As primeiras são associadas pelo artigo com àquelas ligadas as diferenças no desenvolvimento econômico e social alcançados e pela posição em que essas nações ocupam no decorrer histórico do sistema produtivo global. Já as dentro de um mesmo país relacionam-se às riquezas acumuladas por uma sociedade e de sua organização enquanto Estado, bem como no tocante a relações sociais e de poder entre seus estratos.

 

Correlacionado a estes aspectos, o artigo revisita Milanovic para tratar do conceito de desigualdade global, cuja resultante aponta para o efeito conjunto das desigualdades existentes dentro e entre os países, fruto da interação de seus determinantes. O objetivo desta produção científica revela-se como apresentador das desigualdades em saúde não apenas como problema global, que aflige populações mais pobres, mas também as de países ricos, localidades onde raízes históricas e estruturais do problema tomam notabilidade. Para isso, o texto retoma discussões do campo da saúde, como a relação entre a saúde e os determinantes das condições de saúde, visto que a saúde ainda é entendida de formas distintas na sociedade, para uns como questão restrita a fatores biológicos – ausência de doença – ligados à questões biomédicas, para outros um fenômeno complexo e com múltipas determinações, cujas bases remontam à forma de vida e organização das sociedades.

 

Leia na íntegra aqui.

 

* Bacharel em Saúde (IHAC-UFBA). Acadêmico de Medicina na Faculdade de Medicina da UFBA. arthustorres@gmail.com





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