Desenhando a ‘Vaza Jato’: qualquer semelhança é mera coincidência*

Autor: Magda Barros Biavaschi**
Publicado em: 15 de julho de 2019
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Escrita por Oswald de Andrade em 1933, montada e dirigida por José Celso Martinez Corrêa em dois momentos distintos da história brasileira, a peça “O Rei da Vela” traz duríssima crítica às nossas elites por meio de seus personagens. Um deles, Abelardo I, o agiota, ao enfatizar que somos “parte de um todo ameaçado, o mundo capitalista”, reconhece que há um momento em que a burguesia, “cansada de carregar nos ombros os ideais de justiça da humanidade”, abandona sua velha máscara liberal e se organiza como classe. Policialmente. Mas por que teria lembrado desse episódio? Mera coincidência?

O texto que segue não é acadêmico. O que pretende é “desenhar” o significado dos fatos envolvendo os recentes vazamentos, pelo The Intercept Brasil, de alguns diálogos estabelecidos entre o ex-juiz da causa, responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba até 2018, o hoje ministro Sérgio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, membro do Ministério Público, cuja incumbência é denunciar, acusar, enfim, buscar trazer aos autos do processo provas robustas, evidências dos delitos que compõem o libelo, para que aquele juiz, que se presume seja isento, as analise e, a partir delas, julgue.

Assim, analogicamente, por meio de suposto caso concreto (os exemplos podem ser outros), trato de mostrar a gravidade do conteúdo desses vazamentos, repudiando a tentativa de construção da ideia de que essas conversas, verdadeiras estratégias definidas passo a passo entre o juiz julgador e o acusador, e muitas concretizadas nos autos, são “normais”, “naturais”, corriqueiras, não sendo, por isso, reprováveis.

 

Aliás, essa busca de naturalização é inaceitável, mesmo porque tamanha trama evidenciada não é nada normal, ao contrário. Essencialmente política, ela macula os processos em que tais fatos tenham ocorrido. Para que minha indignação seja compreendida em sua profundidade, parto de um suposto caso concreto. Pensemos no cenário de uma reclamatória trabalhista. Algo para mim bastante familiar. Afinal, fui juíza do trabalho por cerca de trinta anos e me aposentei na condição de desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, RS.

 

Leia aqui o texto na íntegra.

 

*Publicado originalmente em Brasil Debate.
**Desembargadora aposentada do TRT4, pós-doutora em Economia do Trabalho pelo IE/UNICAMP e pesquisadora no CESIT/IE/UNICAMP.





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