Darcy Ribeiro resiste e persiste*
Autor: Debora Diniz
Publicado em: 13 de novembro de 2018
Atualizado em: 4 de janeiro de 2022
Fui estudante e, hoje, sou professora da Universidade de Brasília. Me descrevo como um experimento de Darcy Ribeiro para o conhecimento sem fronteiras – cheguei por um curso, passeei por outros, me formei em Antropologia, hoje sou professora do Direito, e penso a saúde pública. A universidade é isso: não há perguntas pré-determinadas, não há respostas já conhecidas, e jamais haverá medo para mover a dúvida e o conhecimento. Assim, meu pedido aos que festejam a vitória das eleições com mensagens de ameaça ou terror: esqueçam as universidades. Deixem a Universidade de Brasília em paz.
Ali não é lugar para combate, só para aprendizado e acolhimento. Se insistirem na ofensiva violenta, encontrarão professores, funcionários e estudantes dispostos a ensinar o que ainda precisam aprender: paz, tolerância e democracia. Não ameacem gravar aulas e denunciar a quem quer que seja que se apresente como o fiscal do conhecimento proibido ou permitido. Será gasto inútil do dinheiro público, pois falaremos mais e melhor. E com mais sagacidade, coisa que o ressentimento impede alguns de conhecer. Começaremos a falar de bolo de cenoura e, sem que percebam, falaremos da liberdade e da resistência. Por isso, não nos transformem em heróis. Deixem-nos ser só professores.
Podem levar as cadeiras, os quadros, os recursos de financiamento à pesquisa. Ensinaremos mais, seremos ainda mais professores, como um dia sonhou Paulo Freire. Quer maior estrago para as futuras gerações que nos dedicarmos a falar ainda mais, escrever como quem respira, sair das universidades e ir às comunidades? Não há profissão de maior provocação neste momento do país que a de professor.
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*Artigo de opinião publicado originalmente no portal da UNB.
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