Covid: OMS e mundo científico são reféns da disputa irracional entre empresas e governos

Autor: Eduardo Camín**
Publicado em: 18 de janeiro de 2022
Atualizado em: 18 de janeiro de 2022

Apesar dos esforços da OMS (Organização Mundial da Saúde), a realidade mostra que os países mais ricos compraram doses suficientes para vacinar toda a sua população quase três vezes mais do que o necessário, em um mundo onde ninguém deveria ficar sem vacina por causa do país em que vive ou da quantidade de dinheiro que tem no bolso.

A variante Ômicron está se espalhando rapidamente pelo mundo, com especialistas enfatizando e insistindo que é improvável que este seja a última versão do vírus que veremos circular.

Todas as empresas farmacêuticas e instituições de pesquisa que trabalham em vacinas e medicamentos contra a covid-19 deveriam compartilhar suas fórmulas, conhecimentos e a propriedade intelectual por trás dos produtos, para que possam ser produzidas as doses em quantidades suficientes, seguras e eficazes para todos. Os governos também têm a responsabilidade de exigir da indústria farmacêutica que priorize a vida das pessoas antes de seus próprios lucros. Mas a dura realidade é muito diferente.

Em setembro de 2021, a OMS criou o Grupo Técnico Consultivo sobre a Composição de Vacinas contra a COVID-19 (TAG-CO-VAC, por sua sigla em inglês). Este grupo multidisciplinar é conformado por 18 especialistas e tem como função analisar e avalia as implicações das novas variantes na saúde pública, sua reação às vacinas anticovid-19, e fazer recomendações sobre a composição dessas vacinas.
O trabalho deste grupo é complementado pelo Grupo Técnico Consultivo sobre a Evolução do Vírus (TAG-VE), pelo Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE), pelo Grupo de Trabalho sobre Vacinas e pelo Plano de Pesquisa e Desenvolvimento da OMS para Epidemias.

No contexto atual, a respeito da circulação da variante Ômicron, o TAG-CO-VAC pediu maior acesso às vacinas já existentes em todos os países do mundo, com esquemas que já incluam as doses de reforço, na esperança de que essa aceleração da vacinação nos países mais pobres possa diminuir a chance de surgimento de novas variantes.

Os especialistas do TAG-CO-VAC estão considerando a composição das cepas das vacinas contra a covid-19 e incentivam os desenvolvedores de vacinas a coletar dados em pequena escala sobre a amplitude e magnitude da resposta imune a vacinas monovalentes e multivalentes contra diferentes variantes. Esses dados seriam analisados em uma estrutura mais ampla de tomada de decisão sobre a composição das vacinas.

Desde o seu aparecimento, o vírus SARS-CoV-2 vem evoluindo e produzindo novas cepas. Entre as registradas oficialmente pela OMS, as variantes Alfa, Beta, Gama, Delta e Ômicron são as mais conhecidas, por serem as mais contagiosas e/ou pela sua capacidade de desenvolver uma doença mais grave, ou por serem mais resistentes às vacinas.

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*Texto publicado originalmente no portal Carta Maior.   
** Jornalista uruguaio credenciado na ONU em Genebra e analista associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE).





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