Covid-19, uma tragédia anunciada. E agora?

Autor: Nelson Rodrigues dos Santos*
Publicado em: 19 de fevereiro de 2021
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

Passamos o 2020 com a sociedade amargando essa grave pandemia: medo do contágio, adoecendo, morrendo e defendendo-se somente com o distanciamento entre as pessoas e objetos suspeitos, uso de máscaras, higiene de mãos, etc. As mortes podendo ser diminuídas ou evitadas com tratamento oportuno: domiciliar ou hospitalar.

Todos os países no mundo foram pegos de surpresa, e na falta de vacina, as sociedades e seus governos, com base nos conhecimentos das ciências biológicas e humanas, criaram entendimentos e adotaram formas de distanciamentos entre pessoas em locais de trabalho, comércio, transportes coletivos e outras aglomerações: familiares, artísticas, esportivas, festejos, rituais, etc. Mudanças essas, quase sempre incômodas ou sofridas: de hábitos, confortos e ganhos, contendo os contágios até a chegada dos efeitos da vacinação massiva e controle da pandemia.

 

As duas grandes tendências mundiais:

 

Esses entendimentos de prioridades dos governos e sociedades estenderam-se à clareza e segurança de que entre os efeitos do distanciamento social também constava a retração das atividades econômicas, principalmente as de prestação de serviços com inevitável aproximação inter-pessoal com autônomos, micro, mini e médios empresários, perdas essas parcialmente compensáveis pelos governos como abatimento de impostos, auxílio emergencial e outras. Na prática ficou demonstrado que a prioridade à saúde e à vida da população comprovou-se como a maior garantia de retorno mais rápido às atividades econômicas, de modo escalonado, controlado e aguardando a vacinação com o menor número possível de doentes e mortos. Assim vem ocorrendo em Nova Zelândia, Singapura, Coréia do Sul, Vietnã, Canadá, Israel, Japão, China, maioria dos países da Comunidade Europeia e outros. Esses países programaram sua vacinação com vários meses de antecedência, mesmo antes da sua descoberta: com alternativas de grupos populacionais prioritários, acesso à vacinação, estocagem e conservação das vacinas e seus insumos, tudo com mais eficácia e resultados.

 

Em outro extremo pouquíssimos países, com destaque os EUA no seu governo anterior e o Brasil, seus governos federais, contra os alertas científicos, dos estados e municípios e com ansiedade na sociedade. Esses dois governos apegaram-se desde o início, de forma irrealista e estreita, à intransigência de que o desempenho da Economia é a “mola propulsora”, por isso, a prioridade imperiosa acima de tudo, inclusive da saúde e do controle da pandemia. Por isso, passaram a ridicularizar os distanciamentos sociais perante a população todo o 2020, até o uso de máscaras. Nem o teste PCR, indicador de grupos populacionais potencialmente mais transmissores do vírus, foi devidamente adquirido e aplicado para orientar os afastamentos sociais. Esses dois países passaram para 2021 com os maiores volumes de doentes e mortos por COVID-19 no mundo. Em nossa sociedade, por volta de 10 milhões de doentes e 239 mil mortos. A cada dia vem morrendo mais de mil brasileiros por COVID-19: três vezes mais que por assassinatos e quatro vezes mais que por acidentes de trânsito.

 

Leia aqui a análise na íntegra.

 

Publicado no site do Cebes.
*Médico, doutor em Saúde Coletiva.





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