Covid-19: O impacto da falta de protagonismo do Ministério da Saúde na vida das mulheres

Autor: Michelle Fernandez*
Publicado em: 14 de maio de 2021
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Ao longo dos últimos 30 anos, observamos, em matéria de políticas de saúde no Brasil, um modelo baseado na partilha de funções entre os entes federativos e uma coordenação concentrada no Ministério da Saúde (MS). Esse modelo, base do funcionamento do SUS, vinha sendo constante nas diferentes políticas formuladas e implementadas nas últimas décadas. Porém, na pandemia da Covid-19, os governos dos estados e municípios passaram a ocupar um lugar central na crise sanitária diante da ausência de protagonismo do Governo Federal para coordenar políticas de enfrentamento à pandemia. O cenário de crise é marcado pela incapacidade do MS de gerar espaços de diálogo, de orientar e fornecer apoio estrutural aos governos subnacionais.

Diante desse contexto, a Rede Brasileira de Mulheres Cientistas (RBMC) se debruçou sobre algumas questões que impactam diretamente na sociedade brasileira nestes últimos 14 meses. Trago aqui três temas, trabalhados em notas técnicas da RBMC: i) a mortalidade de gestantes e puérperas por Covid-19; ii) a vulnerabilidade dos profissionais de saúde, principalmente as mulheres, que atuam na linha de frente e iii) o processo de vacinação contra a Covid-19.

Desde abril de 2020, constatamos o aumento progressivo, e muito acima da média mundial, de mortes de gestantes e puérperas acometidas por Covid-19 no Brasil, deixando um rastro de desespero e luto. Embora o MS tenha publicado, em setembro de 2020, seu Manual de Recomendações para a Assistência à Gestante e à Puérpera, não houve modificações importantes da estrutura, dos exames e do fluxo de atendimento dessas mulheres no SUS durante a pandemia. Assim, de acordo com a Nota Técnica nº 1 da RBMC, lançada em 3 de maio, a atuação negligente do Governo Federal impossibilitou que gestantes e puérperas acometidas pela Covid-19 tivessem acesso aos cuidados adequados.

 

Cliqui aqui e leia a análise na íntegra.

 

Publicado originalmente na Agência Bori.
*Pesquisadora da Universidade de Brasília (IPOL/UnB) e membro da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas (RBMC). A análise faz parte de uma série de artigos de cientistas da RBMC sobre os impactos da Covid-19.





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