Chapada do Apodi: direitos humanos, conflitos e resistência socioambiental
Autor: Maciana de Freitas e Souza*
Publicado em: 13 de setembro de 2019
Atualizado em: 4 de janeiro de 2022
Um contexto amplo de extinção de políticas de proteção social e de fomento de condições dignas de vida para os povos campesinos tem marcado a situação na Chapada do Apodi, localizada na divisa entre o Ceará e Rio Grande do Norte. A política que vem sendo apresentada claramente desde 2012 com a criação do perímetro irrigado, conhecido como “perímetro da morte”, tem como perspectiva a implantação de grandes e médios empreendimentos do agronegócio no território. O que isso significa? Que está sendo adotada uma prática de produção voltada à exportação na qual não são priorizadas a garantia da dignidade humana, a promoção da justiça social e o respeito aos direitos dos povos locais. Desse modo, terra e água têm sido tratadas como mercadoria, sem considerar os danos e rebatimentos que essa exploração tem proporcionado para o meio ambiente e a saúde humana.
Nos dias 02 a 04 de setembro deste ano, foi realizado o “Seminário Encontro de Saberes: Comunidades camponesas e academia construindo a resistência na Chapada do Apodi”. O evento foi idealizado pelo sindicato dos trabalhadores rurais e pela Comissão Pastoral Regional Nordeste 2, no município de Apodi, para discutir a conjuntura e construir estratégias frente ao avanço das empresas do agrohidronegócio na região.
O seminário teve como objetivo central analisar a questão da luta da terra e a agricultura familiar enquanto projetos democráticos que construíram respostas concretas para a população, bem como apresentar os rebatimentos que o agronegócio tem oferecido. Defender a rede de economia solidária, a agroecologia, a democratização da água e da terra não é apenas questão de militância, mas de reconhecimento de seu significado e importância.
As ações vigentes tem sido desenvolvidas sem levar em conta o interesse das comunidades locais. No evento, o professor Dr. Carlos Walter Porto-Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense (UFF), fez uma fala que sintetiza o que já está em curso, enquanto lógica e enquanto prática: a atuação do empresariado com o Estado. Por outro lado, temos o desmonte ao direito à terra/ território das populações locais e riscos ambientais para a presente e as futuras gerações. O cenário mais provável para os próximos anos, e cada vez mais confirmado com a composição do governo federal, é de retrocessos enormes em termos de direitos humanos e de impossibilidade de construção de políticas públicas nesse sentido.
*Assistente social em Apodi, Rio Grande do Norte. Bacharela em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e pós-graduada em Saúde Pública. Escreve sobre direitos sociais no site Justificando.
Deixe um comentário