Bioética, Saúde Global e Poder
Autor: Reinaldo Guimarães*
Publicado em: 4 de março de 2021
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
Preciso ser franco: o mundo está à beira de um fracasso moral
catastrófico – e o preço desse fracasso será pago com vidas
e meios de subsistência nos países mais pobres do mundo.
Tedros A. Ghebreyesus
Diretor Geral da OMS
A esta altura, já está mais do que claro que a pandemia chamada COVID-19, sua compreensão e seu enfrentamento, vão muito além da interação de um novo patógeno e os humanos. O seu desenvolvimento sugere um processo de altíssima complexidade, com a existência de várias dimensões entrelaçadas (biomédica, clínica, fisiopatológica, epidemiológica, informacional, simbólica, etc.) ao lado de uma demonstração categórica dos limites da ciência – mormente as do campo biomédico – no seu enfrentamento.
Esses limites foram ainda mais claramente tensionados quando da entrada em cena da primeira e única intervenção farmacológica capaz de mitigar os seus efeitos – as vacinas. Ao lado da façanha do desenvolvimento e produção de vários imunizantes eficazes em prazo jamais observado na história – uma vitória da ciência e da tecnologia – o que vem se seguindo é uma disputa feroz por mercados e poder político que nada tem de científica e cuja resultante é uma crescente onda de iniquidade em relação ao uso racional daquela conquista da ciência. Não parece ser o melhor caminho compreender essa disputa “não científica” como um evento externo ao desenvolvimento da pandemia. Pelo contrário, tanto quanto o estudo da interação patógeno-hospedeiro, ela faz parte da sua dinâmica e aquelas disciplinas que tratam desse tipo de conflito adquirem um papel central na análise do fato pandêmico. Daí a importância do olhar da bioética.
Clique aqui e leia a análise na íntegra.
*Professor do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada da UFRJ. Vice-presidente da ABRASCO.
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