As forças democráticas têm que parar o governo Bolsonaro
Autor: Luiz Filgueiras*
Publicado em: 2 de março de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
Como se esperava, era só uma questão de tempo: Bolsonaro, e sua matilha, atravessou de vez o Rubicão; explicitou o seu projeto de implantar uma Ditadura no Brasil, tentando envolver, mais uma vez, as Forças Armadas do país. Os últimos acontecimentos, depois de muitos outros assistidos quase que passivamente pelo Congresso Nacional e o Poder Judiciário, não deixam margem à dúvida:
1- Bolsonaro apoiou o motim da Polícia Militar no Ceará, no qual policiais encapuçados, ao estilo das ações do crime organizado e das milícias bandidas nas periferias do país, exigiram o fechamento do comércio, aterrorizaram a população e cometeram uma tentativa de assassinato de um senador da república.
2- Com a nomeação de mais um militar para um cargo no Planalto – comandante da intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018, quando dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson da Silva -, Bolsonaro passou a ter a companhia apenas de generais na Presidência da República. Isto ocorre em um momento no qual se fecha o cerco à Bolsonaro e sua família no que se refere às suas ligações umbilicais com as milícias e o crime organizado.
3- Por fim, o mais grave de tudo até aqui; Bolsonaro está estimulando, pessoalmente, nas redes sociais um movimento de agressão às Instituições do país, marcado para 15 de março e no qual está envolvido um dos seus principais generais-assessores. Comete assim, mais uma vez, agora com maior gravidade, um crime de responsabilidade, que não pode ser ignorado pelas forças democráticas da nação e pelos outros poderes constituídos.
Não, o Governo Bolsonaro não é “normal”; diferentemente dos anteriores (FHC, Lula e Dilma), não resultou de um processo democrático e de uma eleição limpa e transparente. A chapa Bolsonaro-Mourão foi eleita, ilegalmente, através do disparo massivo de Fake News nas redes sociais e se beneficiando do uso político do Poder Judiciário, do Ministério Público Federal (Operação Lava Jato) e da Polícia Federal, em estreita associação com a grande mídia corporativa – que hoje, em sua maioria e de forma vacilante, “apavora-se” diante do monstro que ajudou a criar.
Leia aqui o texto na íntegra.
*Professor Titular da Faculdade de Economia da UFBA.
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