“Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”

Autor: Paloma Silveira*
Publicado em: 7 de dezembro de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

O ano de 2020 sem dúvidas será lembrado como aquele ano em que quase tudo para muitas pessoas se esfacelou, ficou em suspensão e/ou exigiu reinvenções com diferentes renascimentos. Um ano marcado por uma pandemia até então nunca vivida por muites, mas já anunciada peles ambientalistas e cientistas que analisam as mudanças climáticas provocadas pela destruição do meio ambiente que a humanidade capitalista anda fazendo. Muitas mortes causadas pela Covid-19, outras tantas mortes não, mas que de alguma maneira se relacionam também com esses tempos pandêmicos que têm aglutinado tantos desencantos.

 

Um ano de muitas brutalidades ditas e feitas de forma tão crua e perversa que em diferentes momentos pareciam irreais, mas infelizmente não foram. O Brasil racista, patriarcal, classista e genocida escancarado. A caixa dos horrores foi exposta, sem pudores. É verdade que esse Brasil sempre existiu. Nosso processo histórico marcado por uma colonização atroz e por ditaduras autoritárias e violentas não nos deixa esquecer, mesmo que alguns e algumas insistam em perder ou mesmo negar essas memórias. As marcas coloniais estão aí estruturando ainda a sociedade brasileira e presentes até em nossos genes, como mostram os primeiros resultados do projeto “DNA Brasil” (GOMES, 2020).

 

Também dentro desse processo resistimos, lutamos e alcançamos muitas conquistas importantes. Nos tempos mais recentes podemos destacar as conquistas presentes na Constituição de 1988, conhecida como a Constituição Cidadã. Nunca fomos um povo submisso e muito menos passivo, temos sim as nossas lutas e conquistas muito desprezadas e invisibilizadas, mas não é possível deslembrar completamente o que nos constitui tanto para o bem, quanto o para mal. São essas nuances que esse 2020 tem desvelado mais, ainda que com forças bastante distintas.

 

Leia aqui o texto na íntegra.

 

Trecho da música Sujeito de Sorte de Belchior. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=oy5w9mWrzBg

Dedico esse texto a todas as pessoas que individualmente e/ou em coletividades insurgiram, insurgem e insurgirão. Desafinando o coro dos contentes, ao utilizar diferentes estratégias de resistências e lutas. Salve! Agradeço a Gurgel por tudo e pelo que ainda está porvir.

*Mulher cis, heterossexual, reconhecida socialmente como branca, professora, psicóloga e às vezes artista. Mestra em Psicologia pela UFPE e Doutora em Saúde Coletiva pelo ISC/UFBA.

 





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