Ano 6 • Edição nº 30 • Julho/Agosto 2020
 

Prezados/as leitores e leitoras,

 

A pandemia de Covid-19 é o tema desta edição do boletim do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS), que faz um panorama de tudo que foi publicado no site até então sobre as múltiplas dimensões do fenômeno, que configura uma crise sanitária, econômica e política, colocando em evidência a importância dos sistemas de saúde universais e gratuitos, bem como as fragilidades das políticas de saúde no cenário brasileiro.

 

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Boa leitura!

 

OAPS na Pandemia de Covid-19

 

A pandemia de Covid-19 mobilizou o Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) em diversas frentes. Enquanto os eixos temáticos e as equipes de pesquisadores/as se debruçam sobre diferentes aspectos do fenômeno, o site dá visibilidade às notícias, estratégias de enfrentamento, achados científicos, polêmicas e opiniões que envolvem a pandemia, que alcançou a triste marca de 100 mil mortos no Brasil no último mês. Ainda no final de agosto, o país superou o número de 120 mil mortes.

 

Na seção de Notícias, ganharam espaço entidades e associações do setor saúde que se organizaram em redes e frentes, elaboraram planos de enfrentamento, propostas de ações emergenciais e estratégias para grupos populacionais mais vulneráveis, como habitantes de favelas e periferias, em resposta à omissão e desacertos do governo federal. A mobilização está expressa em notas e manifestos com posicionamentos críticos e orientações à população.

 

Pesquisadores/as e instituições de ensino e pesquisa também combateram a desinformação através da produção e divulgação de dados confiáveis sobre temas como o uso de medicamentos no tratamento da doença, por exemplo a Ivermectina; os impactos da pandemia para a saúde da população e grupos específicos, entre eles os/as trabalhadores/as informais; a relação entre Covid-19, trabalho e outras doenças infecciosas; e as ações necessárias no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS).

 

Também não faltaram análises críticas acerca dos planos de enfrentamento da pandemia e das medidas para reduzir os impactos socioeconômicos do distanciamento social, incluindo os aspectos legais, a esfera do planejamento, os limites do auxílio emergencial e o setor privado.

 

Desde abril, os/as convidados/as para as entrevistas do mês também se debruçaram sobre o tema em suas diversas dimensões. Confira:

 

Ricardo Teixeira: em abril, o médico e professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) falou sobre o panorama das ações adotadas por diversos países para conter a pandemia, incluindo a adoção de testagem e diferentes graus de distanciamento social; as respostas do Estado diante da crise; o distanciamento social e as medidas de mitigação das consequências socioeconômicas do confinamento; as relações críticas entre a nova “ecologia comunicacional” e as estratégias comunicacionais tradicionais de enfrentamento de epidemias; as disputas pelo mundo pós-viral. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.


Carmen Teixeira: em maio, a médica e sanitarista abordou a exigência de uma ação complexa, multisetorial e uma eficiente comunicação social para enfrentamento da pandemia; discorreu sobre como a Covid-19 evidencia a “inadequação de uma política de saúde privatista e neoliberal” à realidade da população brasileira” e escancara os problemas crônicos do SUS; e destacou os efeitos da situação provocada pela pandemia sobre a saúde mental da população. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra

 

Vilma Santana: em junho, a médica epidemiologista e coordenadora do Programa Integrado em Saúde Ambiental e do Trabalhador (Pisat), tratou sobre a “óbvia” relação entre trabalho e Covid-19, que acontece de “múltiplas formas”; a saúde dos/as trabalhadores/as em tempos de pandemia; os impactos das atuais condições de trabalho, desemprego e informalidade sobre a saúde dos/as trabalhadores/as. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

Naomar de Almeida: em julho, o ex-reitor das universidades federais da Bahia (Ufba) e do Sul da Bahia (UFSB) e professor aposentado do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba) analisou a “triste” e “frustrante” resposta brasileira sobre a pandemia; a atuação de entidades do setor saúde e dos centros de pós-graduação em Saúde Coletiva diante da pandemia enquanto acontecimento político; e as perspectivas de fortalecimento do SUS e da ciência no pós-coronavírus. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

Reinaldo Guimarães: em agosto, o ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos e ex-diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde analisou a “expectativa hiperbólica” em torno da produção da vacina para Covid-19; bem como as disputas geopolíticas e as tramas que envolvem a indústria de vacinas. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 
 
 
Olhares e análises de especialistas sobre a pandemia

 

Na seção Debates e Pensamentos, diversas reflexões e análises sobre a pandemia e sobre as discussões em torno do Ministério da Saúde e do SUS têm sido publicadas desde o mês de março. As análises incluem olhar para a política de saúde mental no contexto da pandemia de Covid-19 e para as estratégias de comunicação usadas pelo Ministério da Saúde no combate à pandemia, bem como o risco do uso político da (des) informação em saúde, e o perfil do então ministro Nelson Teich, que permaneceu no cargo por menos de um mês. A proposta de reforma do SUS, ventilada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, foi tema do texto de Lenir Santos publicado no último mês.

 

Os desiguais impactos da Covid-19 sobre as mulheres, seu trabalho em tempos de pandemia e relação entre o capital, a pandemia e o feminismo são abordados em três publicações. Ainda no âmbito das desigualdades que marcam o cenário pandêmico no país, as consequências desse quadro nas favelas; a necessidade de um plano de emergência para periferias e favelas; e as implicações da branquitude no genocídio da população negra são abordados em textos.

 

As mortes por Covid, que já ultrapassam mais de 120 mil brasileiros e brasileiras, são tema de duas publicações. Na primeira, os autores examinam como as mortes têm sido apresentadas e justificadas oficialmente ao passo em que são desconstruídas como um problema de ordem pública no texto “‘E daí?’: respostas à pandemia e gestão da morte no Brasil”. Em “Os números não são pessoas e as pessoas que nem números são?” a desumanização das perdas relacionadas à pandemia é base para a reflexão.

 

Já a esperança buscada nas campanhas “Vai passar” é tema de texto que destaca “a esperança que não se limita ao consolo, ao conforto do mal-estar individual”, mas que “leve à ação, à recusa da conformação, da aceitação cega, quando as decisões políticas negam vulnerabilidades, existências, sofrimentos, mortes e lutos”.

 

O papel das universidades no enfrentamento da crise sanitária é destacado pelo reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Carlos Salles, ainda em abril, em “Vida é um projeto de longa duração”. Há também debate sobre o funcionamento das universidades na pandemia e as desigualdades entre os serviços público e privado.

 

A posição e as ações e articulações construídas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), coletivo importante na luta pelo direito à saúde no Brasil e na defesa do SUS público e universal, na atual e profunda crise sanitária foi tema de análise de pesquisadoras do Observatório, depois repercutida pelo MST.

 

Em “A síndrome da vida anunciada”, a falta de mudanças estruturais que atuem sobre a desigualdade escancarada pela pandemia e os caminhos da mobilização necessária para mudar a situação são questões exploradas pelo autor, que chama atenção para a necessidade de articulação política dos partidos de oposição ao governo federal.

 

A crise política é abordada em análises de dois docentes da UFBA. O cientista político Paulo Fábio faz reflexões sobre o governo federal e a crise política (aqui e aqui) e o economista Luiz Filgueiras ressalta em suas análises que é fundamental se opor ao governo Bolsonaro para enfrentar a pandemia (leia aqui e aqui).

 

Ainda em março, Filgueiras e a também economista Graça Druck chamam a atenção para a falsa oposição entre saúde e economia fomentada por Bolsonaro. No mesmo mês, análise do sociólogo e diretor técnico do DIEESE, Clemente Ganz Lúcio, elenca três ordens de medidas essenciais necessárias: a retomada imediata dos investimentos públicos, a garantia da renda da população (salários e transferências) e de liquidez para empresas e pessoas (capital de giro, alongamento dos prazos para pagar dívidas, desoneração temporária).

 

Os grupos de pesquisa do Observatório publicaram análises resultantes do acompanhamento de temáticas e políticas. O resultados do monitoramento de fatos relevantes relacionados à implantação, ao financiamento, à participação social e aos resultados alcançados do Processo da Reforma Sanitária Brasileira compõem quatro textos que traçam um panorama do primeiro semestre de 2020.

 

Em junho, as recomendações científicas e de flexibilização do distanciamento social nos estados do Nordeste são examinadas por Carmen Teixeira, coordenadora do eixo “Análise do Processo da Reforma Sanitária Brasileira” em “‘O governador em seu labirinto’: A difícil situação dos governadores do Nordeste face à pandemia de Covid-19”.

 

A questão dos medicamentos é abordada pelo eixo Políticas de Medicamentos, Assistência Farmacêutica e Vigilância Sanitária em duas publicações. A primeira traz o olhar do grupo sobre os principais fatos sociais e políticos relativos à cloroquina, que também é tema de reflexão da epidemiologista e docente da UFBA, Gloria Teixeira. A segunda trata do desabastecimento do estoque de sangue e estratégias para o aumento da doação em tempos de Covid-19.

 

O canal de comunicação Tele Coronavírus 155, resultado de parceria entre Governo do Estado da Bahia, UFBA e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), criado com o objetivo de orientar as pessoas durante a epidemia de Covid-19, motivou texto sobre o uso da telessaúde em tempos de pandemia.

 

A arte também se fez presente por meio dos poemas "Grito e dor; Guardando os passos"; "Corona (coroa) de espinhos e pulsão de vida"; "Sonhos em tempo de Corona"; e ainda do cordel "O Covid-19 num navio sem capitão".

 

Para saber mais sobre a pandemia: outros boletins


Entre os meses de março a maio, as duas edições do Boletim do Oaps anteriores a esta se concentraram na pandemia de Covid-19. A edição bimensal março/abril, publicada pouco após o país registrar 100 mil casos confirmados, traz publicações e entrevista que destacam medidas necessárias para o enfrentamento da pandemia e reforçam o papel do distanciamento social.

 

Dois meses depois, em meio ao uso de medicamentos para prevenção e tratamento da Covid sem a existência de evidências científicas que embasassem a prática – em destaque a cloroquina e a Ivermectina –, o boletim número 29, publicação referente aos meses de maio e junho, aborda a promoção do uso racional de medicamentos e a prática de automedicação entre brasileiros.

 

Em entrevista, o médico e doutor em Medicina e Saúde (UFBA), Luis Correia, diretor do Centro de Medicina Baseada em Evidências da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e editor-chefe do Journal of Evidence Based Healthcare, fala sobre o impacto da pandemia de Covid-19 sobre a medicina e a importância da racionalidade científica e da alfabetização científica da população. “Medicina, como derivada do latim mederi – escolher o melhor caminho – não se refere apenas a decisões em saúde, se refere a decisões da vida, decisões políticas, decisões econômicas, decisões de segurança pública, decisões de ensino, decisões educacionais e, aparentemente, nós estamos com muita necessidade de reforçar as escolhas do melhor caminho em todos esses setores do país, e não só na medicina. Portanto, discutir medicina contemporânea é discutir processo de decisão e precisamos aprimorar os nossos processos de decisão utilizando racionalidade científica, não só nos processos médicos, como em qualquer processo na sociedade”, pontua o médico.

 

 

 Clique aqui para acessar nossa lista de links e publicações importantes!

 

 



O trabalho dos eixos de pesquisa do OAPS

 

A contribuição dos eixos de pesquisa do Oaps para a produção e a divulgação de conhecimento e informações sobre a Covid-19 tem sido relatada pelo eixo temático Mídia e Saúde em uma série de textos que vem sendo publicada desde o final do mês de julho. Além do desenvolvimento de subprojetos relacionados à pandemia, os/as pesquisadores/as dos grupos de pesquisa do Observatório têm participado de mesas, debates e conferências virtuais e de grupos de trabalho e redes voltados para a produção científica sobre a Covid.

 

Integrantes dos eixos do Oaps têm atuado na elaboração de publicações, como o boletim “A saúde dos profissionais de saúde no enfrentamento da pandemia de Covid-19”, desenvolvido com base em revisão da literatura internacional, que sistematiza propostas e recomendações voltadas para a promoção e a proteção à saúde física e mental destes trabalhadores; e relatório técnico sobre o impacto das medidas de distanciamento social para o controle da pandemia no país, ambos da Rede CoVida. Há ainda artigo científico sobre esse último tema.

 

Destaque também para o posicionamento da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde (Rede APS) em relação às medidas para o fortalecimento do SUS no enfrentamento da pandemia; notas técnicas sobre uso de máscaras de tecido em locais públicos frente à Covid-19; planejamento e organização dos serviços hemoterápicos, importante para garantia do suprimento de sangue de acordo com as necessidades do sistema de saúde e fornecimento de plasma convalescente para testes no tratamento de Covid-19; e um guia prático sobre uso e higienização de máscaras de tecido. Também, publicações na seção Debates e Pensamentos do Observatório, já destacadas acima.

 

Detalhes sobre os estudos em desenvolvimento, assim como links para acesso aos eventos virtuais com participação doa eixos do Oaps podem ser conferidos aqui nos relatos já publicados.

 

Coordenadora geral do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) e do projeto Análise de Modelos e Estratégias de Vigilância em Saúde da Pandemia da Covid-19 (2020-2022) – ObservaCovid, a professora Isabela Cardoso (ISC/UFBA) destaca a participação expressiva dos eixos do Observatório no desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre a pandemia, com a produção de evidências científicas e articulações com redes de pesquisadores, a exemplo da Rede CoVida, que envolve instituições como a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

“Em relação ao eixo Trabalho e Educação, por exemplo, as evidências produzidas dizem respeito à saúde dos profissionais de saúde no enfrentamento da pandemia. Já publicamos um artigo na revista Ciência e Saúde Coletiva com uma grande revisão das evidências produzidas no mundo sobre os efeitos e os impactos dessa pandemia nos profissionais. No eixo de Gestão Hospitalar estamos nos debruçando sobre os planos de contingência – o que foi previsto pelos estados e pelo governo federal para enfrentamento da pandemia em relação às ações da área da Atenção Hospitalar. Agora, depois de estudados, analisados e comparados todos os planos de contingência, nós estamos nos debruçando sobre o processo de implementação das ações contidas nesses planos”, relata.

 

Fruto de todo esse movimento, os/as pesquisadores/as submeteram, de forma coletiva, um projeto ao CNPq com foco no modelo e no referencial da Vigilância em Saúde. “A partir daí, tem sete subprojetos vinculados aos nossos eixos do Observatório, com um grupo de pesquisadores que se dedicam a um conjunto diferenciado de temáticas com o olhar da Covid-19, como a Atenção Hospitalar, a saúde dos trabalhadores da saúde e um estudo de coorte que vai acompanhar os casos internados no Instituto Couto Maia, em Salvador. Esse estudo terá o acompanhamento de todas as pessoas acometidas pela doença e internadas e, posteriormente, o seguimento pós-internação, para saber como se desdobram os casos que foram objetos de estudo dentro do hospital. Temos também como objetos de estudo o uso dos esquipamentos pela população e uma revisão ampla sobre os modelos da vigilância e os reflexos disso em outros países”, relata Isabela Cardoso.

 

 

➦ Clique aqui para ler a 1ª edição do boletim do ObservaCovid,

que apresenta o projeto, seus referenciais teóricos, motivações e equipe.

 


 
 
 
 
 
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