Ano 3 • Edição nº 12 • Julho/Agosto 2017
 

Prezados/as leitores e leitoras,

A 12ª edição do boletim informativo do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) e do Centro de Documentação Virtual (CDV) traz como tema os 2 anos de lançamento do OAPS. Para traçar um panorama do trabalho realizado até aqui, apresentamos alguns números, temas em destaque, a produção de cada eixo temático e depoimentos de pesquisadores/as que compõem a rede, estudantes, residentes e professores/as que acompanham a trajetória do Observatório nestes dois anos. O resultado desse pequeno mergulho em nosso percurso você encontra neste boletim.

Se deseja receber os boletins bimensais do OAPS e CDV em seu e-mail, clique neste endereço e preencha o formulário com seu nome e e-mail. Logo em seguida, uma mensagem de confirmação será enviada para o endereço informado com orientações para finalizar o cadastramento. Convidamos você a navegar pelos sites do OAPS e do CDV, além de visitar nossa página no Facebook e nosso canal de vídeos no Youtube.

Boa leitura!

 

2 anos do Observatório de Análise Política em Saúde

 

Com uma rede constituída por pesquisadores/as de diferentes instituições brasileiras e formada a partir de temáticas e questões de pesquisa compartilhadas, o Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) comemora 2 anos desde seu lançamento oficial no 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da Abrasco - Abrascão 2015. O projeto, que conta com 11 eixos temáticos, soma nesse período 40 dissertações de mestrado, 20 teses de doutorado, 30 artigos publicados em periódicos indexados e 4 livros: “Análise política em saúde: contribuição do pensamento estratégico", de Leonardo Federico; “Política de saúde bucal no Brasil: teoria e prática”, organizado por Sônia Chaves; “Observatório de Análise Política em Saúde: Abordagens, objetos e investigações”, organizado por Carmen Teixeira; e o e-book “Glossário Análise Política em Saúde”, organizado por Carmen Teixeira e Paloma Silveira.

Em junho de 2017, a produção científica do Observatório foi tema da revista Ciência & Saúde Coletiva, que está disponível para leitura. Também esse ano, a atuação do OAPS no acompanhamento e análise das políticas de saúde propiciou o convite do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa para a produção de um Health Systems in Transition (HiT) Brasil, relatório que analisa o desempenho de sistemas de saúde de países.

Nesse segundo ano o acompanhamento da conjuntura política, econômica e social brasileira e seus impactos para o Sistema Único de Saúde (SUS) continuaram como parte importante do trabalho do Observatório. A matriz de acompanhamento do OAPS foi atualizada e disponibiliza o monitoramento anual das políticas específicas analisadas pelo Observatório, produzido pelos eixos de pesquisa. Por meio de notícias, entrevistas, textos para debate e de boletins bimensais, o OAPS divulga e discute o cenário atual e as perspectivas para o SUS, dando destaque aos assuntos relacionados a seus grupos de pesquisa, mas também a temas que vão além dos eixos temáticos, como impactos da crise na saúde da população, saúde mental, meio ambiente, movimentos de mulheres, aborto, mercado privado de saúde, reforma da previdência, vírus Zika no Brasil, entre outros temas. Tendo em vista a importância da difusão do conhecimento para diferentes públicos, o OAPS também marcou presença em eventos, entre eles o 3º Congresso de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Abrasco e o XXXIII Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, e promoveu iniciativas de diálogo e aproximação com os/as gestores/as da saúde.

Até o mês de junho deste ano foram publicados um total de 54 artigos na seção Debates e Pensamentos, 28 deles no último ano, e 291 notícias, inclusive 21 entrevistas especiais com pesquisadores/as como Estela Aquino, Lenir Santos, Ana Luiza D'Ávila Viana, Kenneth Camargo, Carlos Ocké, André Mota, Célia Landmann, Eleonora Menicucci, Eduardo Hage, Renato Tasca, Paulo Amarante e Jorge Simões. Entre agosto de 2016 e julho de 2017 o OAPS somou 162.552 acessos, segundo estatísticas de visitação do Google Analytics. A página no Facebook é acompanhada por 3.188 seguidores.

E as novidades não param. Em breve, o OAPS ganhará seu 12º eixo temático de pesquisa. Intitulado “Mídia e Saúde”, o eixo coordenado pela professora Ligia Rangel (ISC/UFBA) tem o desafio de evidenciar objetos de estudo ainda escassos nas instituições de pesquisa brasileiras, embora com tendência crescente de publicações. Na interface entre mídia e saúde, o grupo investiga a complexa relação de campos distintos, problematizando os discursos e as práticas midiáticas que permeiam o campo da saúde, tendo como objetos de estudo os discursos multirreferenciais da saúde em jornais, TV, internet, assim como textos midiáticos que circulam nas redes sociais. Entre os objetivos do eixo está ainda conhecer estratégias midiáticas de produção e reprodução de sentidos sobre a saúde, quando os discursos tornados públicos são orientados por lógicas que se impõem na cultura midiática contemporânea em que informação também é mercadoria e precisa ser compreendida, além de investigar como esses discursos e práticas se aproximam e se afastam dos indivíduos e grupos sociais que conformam a arena pública da saúde.

 
 
 
Eixos temáticos

 

Análise do Processo da Reforma Sanitária Brasileira no Período 2007 a 2016
Coordenação: Jairnilson Silva Paim (ISC-UFBA) e Carmen Teixeira (ISC/UFBA)  

Ao longo do percurso de 2 anos, o eixo tem realizado o acompanhamento cotidiano da conjuntura política nacional e suas relações com a saúde e o sistema de saúde no Brasil. Isso permite uma análise mais próxima dos movimentos conjunturais dos diversos atores políticos no processo da Reforma Sanitária brasileira e uma compreensão de como estes atores se posicionam ao longo de um período histórico que envolve, nesse caso, o governo de Dilma Rousseff e Michel Temer, além de um entendimento sobre em que medida esses posicionamentos se aproximam ou se distanciam da proposta da Reforma Sanitária e do SUS. O grupo de pesquisa é marcado pelo encontro de diferentes gerações de pesquisadores/as: estudantes de iniciação científica, residentes, mestrandos/as, doutorandos/as, pesquisadores/as e professores/as recém-formados e outros com longa trajetória acadêmica. O trabalho contempla o estímulo à produção conjunta, que inclui não apenas a produção científica, mas também a elaboração de análises com a contribuição dessas diferentes gerações, o que favorece o aprendizado coletivo de todos/as integrantes do eixo.

Acompanhamento de Iniciativas do Poder Legislativo Federal em Saúde
Coordenação: Ana Maria Costa (ESCS/DF)

Voltado ao estudo da atuação do Poder Legislativo Federal sobre a saúde, o trabalho realizado pelo eixo contempla cinco linhas de pesquisa: Análise da Ação do Legislativo sobre Força de Trabalho em Saúde; Ação do Poder Legislativo sobre setor privado da saúde e Financiamento Setorial; A Saúde e o Legislativo: Como se comportam os parlamentares - uma abordagem alternativa na Ciência Política; Ação do Legislativo sobre os Direitos Reprodutivos e Aborto; e A Saúde Mental na Ação do Legislativo Nacional. Entre os temas monitorados e analisados pelo grupo de pesquisadores/as estão a dinâmica política do debate setorial da saúde no Congresso Nacional, as principais propostas e campos de interesse no que diz respeito ao financiamento em saúde, proposições legislativas relacionadas ao aborto e aos direitos sexuais e reprodutivos.

Acompanhamento das Decisões Judiciais Relativas à Saúde
Coordenação: Luis Eugenio de Souza (ISC/UFBA)

A primeira produção deste eixo foi a atualização dos resultados da dissertação de Izamara Catanheide – uma revisão sistemática sobre as “Características processuais, político-administrativas e médico-sanitárias da judicialização do acesso a medicamentos no Brasil”. Em 2015, vieram à luz dois novos produtos: as dissertações de Erik Abade (“A judicialização da assistência médica suplementar: um estudo de caso em Pernambuco”) e de Erick Lisboa (“Acesso ao tratamento da diabetes na Bahia: por que se recorre ao Judiciário?”). Em 2017 foi concluída a primeira tese de doutorado na temática da judicialização da saúde, vinculada ao Oaps: “As ações judiciais em saúde e a incorporação de medicamentos biológicos ao Sistema Único de Saúde”, de Kleize Araújo Souza. No momento, estão em curso outras quatro pesquisas, dois projetos de tese – “As demandas judiciais sobre o acesso a tecnologias de saúde no âmbito da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia” (Josele Santa Bárbara) e “A judicialização do direito à saúde e os impactos no financiamento do SUS no estado da Bahia” (Iraildes Juliano) – e dois trabalhos de conclusão do curso de especialização sob a forma de residência multiprofissional em Saúde Coletiva (ISC/UFBA): “Estratégias das secretarias estaduais de saúde para o enfrentamento das demandas judiciais” (Ruany Amorim) e “Uma análise das decisões judiciais relativas ao ressarcimento ao SUS” (Jéssica Resende).  Além disso, dois artigos foram publicados e um outro foi aceito para publicação.

Estudos e Pesquisas em Políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde
Coordenação: Erika Santos de Aragão (ISC/UFBA) e Sebastião Loureiro (ISC/UFBA)

Em dois anos de trabalho, o eixo temático acompanhou e analisou questões como a desaceleração do processo de investimentos no setor, seus marcos institucional e regulatório. A possibilidade de desenvolver pesquisas nesta área é considerada fundamental por este não ser um tema usualmente monitorado nas instituições de saúde pública em geral. Por meio deste monitoramento foram identificadas questões impactantes para a área de Ciência e Tecnologia e, particularmente, para a área de Ciência, Tecnologia e Inovação em saúde, entre eles a fusão do Ministério de Ciência e Tecnologia com a pasta de Comunicações, com consequências para o financiamento e para a própria delimitação das funções de cada um, já que seus papéis são muito distintos; a redução de investimentos da área de pesquisa e desenvolvimento, com diminuição do número de bolsas de pesquisa e do número de pesquisas fomentadas em geral e na área de saúde, em particular. No caso da Saúde, o eixo observa que o setor mantém o percentual do ponto de vista do total de montante investido, mas há uma redução provocada pela queda de investimentos em termos absolutos.

Estudos e Pesquisas em Atenção Primária e Promoção da Saúde
Coordenação: Maria Guadalupe Medina (ISC/UFBA) e Ana Luiza Queiroz Vilasbôas (ISC/UFBA)

A produção de estudos e análises para o Observatório tem possibilitado ao eixo um maior aprendizado em dois aspectos fundamentais: sistematização do processo de produção de conhecimento e melhor formação de estudantes e dos/as próprios/as docentes e pesquisadores/as na temática. Um dos pontos destacados nessa trajetória é a construção e atualização das linhas do tempo de Atenção Primária e Promoção da Saúde, com uma discussão proveitosa do que pode ser definido como evento nas duas áreas. O eixo tem sido espaço de aprimoramento e discussão de projetos de pesquisa, teses e dissertações de alunos/as, além de permitir a formação de um grupo heterogêneo que incorpora doutorandos/as, mestrandos/as, residentes de planejamento e gestão e estudantes de graduação. A produção do eixo tem se mostrado útil e de referência para discussão da temática da Promoção da Saúde e da Atenção Primária, especialmente com estudantes de graduação.

Trabalho & Educação na Saúde
Coordenação: Isabela Cardoso (ISC-UFBA)

Um primeiro esforço do eixo foi a constituição da rede que incorpora pesquisadores/as de várias universidades brasileiras – ISC e Enfermagem/UFBA, USP, UFRN, UFRGS, UFMG, Uerj e Ensp – no sentido de produzir um conhecimento ao mesmo tempo sólido cientificamente e conectado às realidades locais. No total, são cinco linhas de pesquisa. Uma voltada à análise da política de educação permanente, com produção articulada ao ObservaRH-IMS/Uerj, que tem uma pesquisa nacional sobre o andamento da política de educação permanente e gestão do trabalho no SUS. Uma linha que articula USP, UFRGS e ISC/UFBA, junto ao Fórum de Graduação em Saúde Coletiva da Abrasco, e vem pesquisando a graduação em Saúde Coletiva e acompanhando o perfil dos egressos da graduação, além de um estudo dos currículos dos cursos, sempre em conexão com o movimento da reforma sanitária e buscando contribuir para a melhoria e efetivação desse curso e da inserção dos sanitaristas da graduação no mundo do trabalho. Um terceiro eixo é o acompanhamento dos posicionamentos das entidades médicas em relação ao Programa Mais Médicos e todo o movimento de reestruturação dos processos de trabalho, articulando a fixação dos profissionais médicos e a mudança curricular nos cursos de medicina. Outra frente de trabalho é a pesquisa sobre o perfil dos agentes comunitários de saúde, que aponta forte articulação entre gestão do trabalho e condições dos/as trabalhadores/as e a distribuição destes no conjunto da rede do SUS. E ainda um estudo voltado às condições de saúde dos/as trabalhadores/as da saúde, que visa articular gestão do trabalho e saúde dos trabalhadores.

Modelos de Gestão Hospitalar no SUS
Coordenação: Isabela Cardoso (ISC-UFBA)

O eixo “Modelos de Gestão Hospitalar no SUS” tem produzido um conjunto de evidências, inaugurado por uma tese de doutorado – “Modelos alternativos de gestão na Atenção Hospitalar do SUS Bahia”, de Thadeu Borges Souza Santos – que contém um conjunto de informações sobre o funcionamento dessas unidades, o papel e o controle do Estado sobre esse modelo de gestão e como pensar possibilidades de avanço, por exemplo, em relação à regulação dos estados sobre esses modelos de gestão. Há três teses de doutorado vinculadas ao eixo que investigam diferentes aspectos do tema Gestão Hospitalar: uma voltada para o funcionamentos das organizações sociais; uma que analisa as parcerias públicas e privadas; uma terceira que analisa a Ebserh - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A experiência do Observatório tem possibilitado a articulação de uma rede de pesquisadores/as para olhar e produzir evidências e análises comparativas entre diferentes modelos, uma articulação que envolve outros estados do país e outras instituições de pesquisa.

Análise de Políticas de Saúde Voltadas para a Infância
Coordenação: Monique Azevedo Esperidião (ISC/UFBA)

O trabalho no eixo tem sido uma oportunidade para desenvolvimento de pesquisas na área de políticas de saúde para crianças, a partir de distintos recortes, e no acompanhamento da recém implantada Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), assim como para a formação de quadros, recebendo alunos/as da graduação, residência e pós-graduação em Saúde Coletiva. Desde seu lançamento, pode-se destacar como produtos: 3 dissertações de mestrado, 1 tese de doutorado, 3 artigos científicos e 3 capítulos de livros. A plataforma interativa permitiu ainda a comunicação com a comunidade mais ampla na discussão de temas relevantes, seja por meio de apreciação crítica de aspectos centrais das políticas ou na compreensão de fenômenos sociais que exigem intepretação, como a medicalização da infância. A inserção das residentes em PPG no último ano mostrou-se uma oportunidade de sustentação do trabalho e seus desdobramentos. Aponta-se como perspectiva a conexão com pesquisadores/as de outras instituições para formação de uma rede de pesquisa em análise política infanto-juvenil, assim como a articulação com entidades da sociedade civil para fortalecimento deste espaço comum de lutas sociais.

Políticas de Medicamentos, Assistência Farmacêutica e Vigilância Sanitária
Coordenação: Ediná Alves Costa (ISC/UFBA)

Este eixo temático tem acompanhado as notícias dos fatos relevantes produzidos pelo Poder Executivo Federal – Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – cotejando-os quanto às diretrizes da Política Nacional de Medicamentos. A produção normativa do Legislativo Federal também vem sendo acompanhada, no entendimento de sua importância na complexa rede que envolve a temática com seus atores públicos e privados e seus distintos interesses, nem sempre favoráveis à saúde da população. Durante esse período foi defendida a dissertação de mestrado de Rafael Barros sobre as relações entre o acesso a medicamentos e a institucionalização da assistência farmacêutica, e a tese de Patrícia Araújo, sobre atenção farmacêutica; está em andamento a dissertação de William de Jesus sobre segurança do paciente. O eixo publicou ainda um capítulo no livro Observatório de Análise Política em Saúde e elaborou sete mini-ensaios com a participação ativa de estudantes de graduação de Farmácia e de Saúde Coletiva – cinco já foram publicados na seção “Debates e Pensamentos” do OAPS. Soma-se a isso as apresentações em eventos da ABRASCO.

Análise de Políticas de Saúde Bucal no Brasil
Coordenação: Sônia Cristina Lima Chaves (ISC/UFBA)

O trabalho integrado do grupo de pesquisadores/as em torno da saúde bucal da população e as políticas brasileiras produziu importantes trabalhos, entre eles “Política de Saúde Bucal no Brasil 2003-2014: cenário, propostas, ações e resultados”, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, estudo no qual essas reflexões foram consolidadas, e o livro “Política de saúde bucal no Brasil: teoria e prática”, um produto do OAPS que teve o apoio não apenas de pesquisadores/as vinculados/as ao núcleo do grupo, mas também de professores/as e pesquisadores/as da Faculdade de Odontologia da UFBA. O livro está disponível em formato de e-book pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA). Entre os desafios do eixo e suas perspectivas para o futuro estão a institucionalização de uma rede pesquisadora na área de saúde bucal; a consolidação da integração da rede de pesquisadores/as, com articulação de diferentes instituições de ensino e pesquisa; e o desenvolvimento de uma pesquisa conjunta, com um objeto empírico em comum.

Análise Sócio-Histórica de Políticas de Saúde
Coordenação: Lígia Vieira da Silva (ISC/UFBA)

As análises sócio-históricas têm integrado vários eixos temáticos do OAPS, como os eixos sobre políticas de saúde bucal, políticas de saúde da infância e Reforma Sanitária. Especificamente neste eixo foram desenvolvidos dois projetos de pesquisa: O Espaço da Saúde Coletiva (2ª fase), na qual foram analisadas as transformações ocorridas no Espaço da Saúde Coletiva no período compreendido entre 1979 e 2009, além de estar em andamento uma atualização da análise para o período de 2010-2017; e o projeto Medicina Social Francesa no século XIX e suas incorporações na Saúde Coletiva Brasileira, que conta com dois subprojetos vinculados – um que investiga o espaço da Medicina Social Francesa e um outro que trata do espaço da higiene na Bahia no século XIX.  A produção do eixo contempla duas teses de doutorado – “Produção Social das Políticas de Saúde Bucal no Brasil” (Thaís Regis Aranha Ross) e “Espaço Social da Reforma Sanitária Brasileira: relações entre o movimento sanitário e os partidos políticos de matriz marxista” (André Teixeira Jacobina) –, a publicação de 3 artigos e 3 capítulos de livros. Estão ainda em vias de publicação três livros e um artigo.



Depoimentos

 

Confira depoimentos de pesquisadores e pesquisadoras vinculados/as ao Observatório de Análise Política em Saúde, estudantes, residentes e também de professores que acompanham o trabalho realizado nestes dois anos!



Elias Rassi (UFG), integrante do Conselho Consultivo do OAPS

“A exposição de debates e pensamentos centrados em pesquisas, assim como o acompanhamento da conjuntura política no país e o volume expressivo de informes de pesquisas concluídas ou em andamento, permitem uma leitura que qualifica os posicionamentos políticos de toda uma geração de profissionais envolvidos com o desenvolvimento do sistema de saúde no Brasil e, consequentemente, possibilitam a construção de escalas de prioridades socialmente mais aceitáveis e desejadas. [...] Ao descortinar aspectos que bloqueiam a busca da universalidade e da equidade e encontram-se escondidos nas sombras de um quadro político perverso, o Observatório instiga a incorporação de centenas, de milhares de profissionais que dedicam uma vida à operacionalização dos serviços de saúde. Ao mesmo tempo, ao reconhecer essa penumbra, viabiliza uma melhor percepção das dificuldades e das responsabilidades que constituem o cotidiano dos trabalhadores em saúde e daqueles que utilizam desses esforços. Essa aliança entre os trabalhadores e os usuários dos serviços de saúde passa por esse processo de construção. Fazer isso também incorporando as evidências mais recentes dos resultados do trabalho na saúde parece ser um bom caminho. Algumas promíscuas relações público-privadas que ficam escondidas em discursos pretensamente isonômicos também ficam evidenciadas nas sequências de informes, pensamentos, entrevistas, publicações etc. que o Observatório apresenta regularmente e, o que é melhor, acompanhadas de análises francas e permeáveis às críticas".



Isabela Cardoso Pinto (ISC/UFBA), coordenadora dos eixos “Modelos de Gestão Hospitalar no SUS” e “Trabalho & Educação na Saúde”

“O eixo ‘Modelos de Gestão Hospitalar no SUS’ inaugura, através do Observatório, uma linha de pesquisa na qual até então trabalhava-se pouco. No momento em que nos debruçamos sobre análises e buscamos evidências acerca do modelo de Gestão Hospitalar e dos novos modelos alternativos que vêm sendo adotados pelas unidades hospitalares – olhando inclusive a perspectiva do seu funcionamento, da qualidade da assistência e também dos reflexos disso sobre trabalhadores e gestores –, essa linha de pesquisa é uma contribuição importante e fundamental para se pensar o funcionamento dessas unidades e a articulação do hospital com os outros níveis de atenção, principalmente com um olhar da área da Saúde Coletiva sobre estas questões e sobre como isso afeta a qualidade do atendimento à população”.



Luis Eugenio de Souza (ISC/UFBA), coordenador do eixo “Acompanhamento das Decisões Judiciais Relativas à Saúde”

“Há dois anos apenas começávamos a estudar o fenômeno da judicialização da saúde, ainda sem muita clareza do que significava. [...] Para além da formação de novos pesquisadores e das informações específicas que foram e estão sendo geradas pelos diversos projetos de pesquisa, provavelmente o ponto mais importante do desenvolvimento das atividades do eixo temático se atém ao amadurecimento da compreensão do fenômeno complexo da judicialização. Se há dois anos tateávamos uma definição conceitual que pudesse, inclusive, orientar as pesquisas, em 2017 já temos um entendimento que, embora passível de refinamento, tem sido, sem dúvida, potente em termos heurísticos. A maior evidência de que alcançamos – não apenas o subgrupo condutor do eixo, mas todo o grupo do Oaps – um estágio avançado de compreensão do significado da judicialização da saúde são os verbetes relacionados ao tema que constam no Glossário de Análise Política em Saúde, organizado por Carmen Teixeira e Paloma Silveira (Oaps, 2017). Nesses verbetes, lê-se que a judicialização da saúde deve ser compreendida não apenas como a reclamação por bens e serviços de saúde através da via judicial, mas também enquanto protagonismo do Poder Judiciário no âmbito das relações sociais e políticas.”



Erika Aragão(ISC/UFBA), coordenadora do eixo “Estudos e Pesquisas em Políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde”

“O ponto forte do Observatório foi trazer essa discussão [desaceleração de investimentos na área da saúde, em pesquisa e desenvolvimento] e fazer esse debate dentro do contexto de outras análises, de outros eixos, porque a gente pôde observar essa questão em outras áreas específicas, por exemplo, na área de medicamentos, a gente pôde discutir isso na área de Assistência e Inovação em Medicamento e de Atenção Primária também. Quando a gente traz todas as questões de forma articulada, a gente consegue enxergar o cenário de forma mais ampla, então eu vejo como um grande avanço do Observatório conseguir de fato colocar o grupo para trabalhar em rede. A rede, portanto, consegue enxergar de forma muito mais abrangente e de forma mais complexa o cenário de saúde, que é um cenário bastante complexo, de fato”.



Ana Luiza Queiroz Vilasbôas (ISC/UFBA), coordenadora do eixo Estudos e Pesquisas em Atenção Primária e Promoção da Saúde

“Eu acho que a experiência do eixo, do ponto de vista interno do nosso grupo, tem sido muito frutífera porque nós estamos, de fato, trabalhando de uma maneira mais organizada, mais orgânica. Estamos nos constituindo como grupo permanente, reforçando o papel de ser um grupo permanente de pesquisa, ensino e cooperação técnica. [...] Também tem sido importante a difusão desse conhecimento, ainda que eu ache que a gente precisa ser mais ousado/a na disseminação para a sociedade em geral. Eu acho que ainda estamos muito restritos ao ambiente acadêmico”. 



Sonia Chaves (ISC/UFBA), coordenadora do eixo “Análise de Políticas de Saúde Bucal no Brasil”

“O grande ponto que eu acredito que o OAPS proporcionou foi uma integração do conjunto de pesquisadores, tendo como objeto a saúde bucal da população em torno de algo mais estruturado. Já havia no Instituto de Saúde Coletiva uma tradição reconhecida em todo território nacional de produção qualificada em análise em Saúde Bucal – acho que este é o único grupo no Brasil hoje que tem esse referencial mais denso, mais consistente teoricamente, na análise das políticas. O OAPS significou para este grupo, portanto, uma possibilidade de integração interna. Havia pesquisas que eram reconhecidas, mas não existia um grupo coeso. O OAPS permitiu a integração desse grupo, a partir de um conjunto de atividades e reuniões regulares, além de fomentar a produção e publicação de trabalhos conjuntos”.



Liliana Santos (ISC/UFBA), pesquisadora do eixo temático Trabalho & Educação na Saúde

“O exercício cotidiano do eixo Trabalho & Educação na Saúde vem sendo de constituir uma rede de pesquisadores e pesquisadoras articulada, tanto às políticas de trabalho e educação em âmbito nacional e estadual, quanto à produção científica das universidades. A gente avalia muito positivamente tanto o volume da produção científica que temos construído ao longo desses dois anos, quanto a constituição dessa rede cada vez mais articulada e mais sólida, implicada com o movimento da reforma sanitária e com o Sistema Único de Saúde e, principal e especialmente, com os trabalhadores da saúde, pensando na sua valorização e na sua formação com consistência e ressignificação permanente”.             



Catharina Matos (ISC/UFBA), pesquisadora do eixo “Análise do Processo da Reforma Sanitária Brasileira no Período 2007 a 2016”

“Tenho acompanhado esse processo desde o início, na implantação do eixo Análise do Processo da Reforma Sanitária Brasileira, em 2014, quando a proposta ainda estava sendo elaborada. Eu destacaria várias contribuições ao longo desse percurso, como o acompanhamento da conjuntura nacional realizado pelo eixo, o encontro de diferentes gerações de pesquisadores no grupo e a formação em pesquisa. Nesse período de 2 anos a gente vê o crescimento dos estudantes. [...] Pessoalmente, a experiência no Observatório me estimulou a criar um caminho próprio de pesquisa. Estou construindo um fio condutor dentro da Reforma Sanitária para que sirva como uma referência futura enquanto pesquisadora na área de Saúde Coletiva e do processo de Reforma Sanitária. Isso tem proporcionado uma aproximação muito interessante para mim, enquanto pesquisadora e professora do ISC/UFBA também”.



Luis Correia, coordenador de Pesquisa do Hospital São Rafael, livre-docente em Cardiologia e Doutor em Medicina e Saúde. Editor do Blog Medicina Baseada em Evidências.

“Tive conhecimento do Observatório quando o professor Jairnilson Paim [coordenador geral do OAPS] me convidou para escrever uma artigo sobre Choosing Wisely a ser publicado no portal. Posteriormente, esta iniciativa evoluiu para uma palestra no ISC/UFBA, que foi transmitida ao vivo. Vale destacar que esse é um exemplo de uma nova forma de divulgação do conhecimento científico, um formato dinâmico e que traz informalidade a um processo geralmente muito formal. Quando isso é feito de forma séria, como no caso do Observatório, causa um impacto na divulgação do conhecimento científico para profissionais e leigos superior às não menos importantes revistas científicas tradicionais. O Observatório é um exemplo de pioneirismo científico e da tão necessária aproximação do paradigma científico com o pensamento coletivo”.



Maria Ligia Rangel Santos (ISC/UFBA), coordenadora do novo eixo temático “Mídia e Saúde”

“Vemos o Observatório de Análise Política em Saúde como uma iniciativa que traz contribuições importantes ao debate e à participação social no campo da saúde, pois compartilha reflexões críticas sobre as ações, serviços e políticas de saúde no Brasil, fundamentadas em pesquisas e em um ritmo que tem permitido acompanhar os desdobramentos recentes dessas políticas, na conjuntura recente.

Ocupar um lugar no ciberespaço, onde se dá intensa e mutável produção de sentidos, é de fundamental importância na atualidade, pois nele transitam os mais diversos atores e sujeitos sociais com diferentes visões sobre a saúde e as políticas do Estado. Ao desempenhar atividades de divulgação científica e acervo virtual, disseminando o conhecimento produzido em várias instituições de ensino e pesquisa na área da saúde, em diferentes eixos temáticos, o Observatório contribui também para a perspectiva de agregação e propagação de saberes capazes de vir a conformar um ideário, no campo social, coerente com a perspectiva da saúde como um direito social e um dever do Estado, tal como está posto na Constituição brasileira.     

Essa rede de pesquisadores não só possibilita o diálogo e o intercâmbio entre os pares, mas também se concretiza como espaço de informação em saúde para o público não especializado, dando um retorno à sociedade que financia as nossas pesquisas. Dessa forma, o OAPS cumpre um papel de cidadania fundamental, possibilitando o acesso a um conteúdo de interesse público, como é o caso da saúde, tema que desperta grande audiência nos meios de comunicação de massa porque está na pauta cotidiana dos brasileiros.

Como bem alerta o Observatório a quem acessa a sua página na internet, “ingenuidade faz mal à saúde”. Nesse sentido, oferecer informação proveniente da análise crítica sobre as políticas de saúde no Brasil e diferentes olhares sobre o tema, contribui para a formação de um cidadão mais crítico e participativo, contemplando a pluralidade dos atores sociais prevista na Constituição de 1988, que garantiu tanto o direito à saúde quanto o direito à informação”.



Jamacy Costa Souza (Nutrição/UFBA), pesquisador do eixo “Análise Sócio-Histórica de Políticas de Saúde”

“Ao incluir um eixo de análise sócio-histórica em sua matriz de análise (de) política de saúde, o Observatório se constituiu em um espaço de possibilidades para que, aquilo que poderia ter se desvencilhado com a conclusão do meu doutorado, tivesse o efeito oposto: o fortalecimento de uma linha de investigação que, se de um lado não está no front das disputas que envolvem esse imenso e complexo objeto que são as políticas de saúde, por outro, com um trabalho quase que de garimpagem, busca reconstituir elementos de um passado esquecido que auxiliam a compreender o que se tornaram as respostas produzidas pela sociedade brasileira ao longo das décadas. Mas sem descuidar daqueles ‘possíveis mortos’ de que trata a sociologia bourdiesiana. O ‘produto’ mais concreto dessa minha inserção pode ser dividido em duas dimensões: aquela que resultou de um trabalho iniciado anteriormente ao OAPS, mas que foi por ele potencializado, que é um artigo e um livro aprovados para publicação; e aquela que resulta da consolidação de uma opção teórico-metodológica abrigada no interior do Observatório, que é a aprovação recente pelo CNPq do projeto que investiga a gênese do espaço de formulação de políticas de alimentação e nutrição no Brasil”.



Amana Santana de Jesus, residente de Saúde Coletiva com ênfase em Planejamento e Gestão em Saúde (ISC/UFBA), pesquisadora do OAPS

“Como atividade da residência, tenho participado do eixo temático Estudos e pesquisas em Atenção Primária e Promoção da Saúde há um ano, especificamente acompanhando notícias e dados para a construção do texto da categoria financiamento na área. Os momentos de reunião do eixo têm sido muito ricos, pois além da troca de saberes entre docentes, pesquisadores e estudantes, esse espaço tem me proporcionado uma visão mais crítica dos fatos relacionados às políticas de saúde divulgadas na perspectiva das mídias cotidianas. Assim, é um espaço que me faz refletir sobre a importância de estarmos sempre atentos aos posicionamentos por trás das informações que são divulgadas amplamente pelas mídias na atual conjuntura. [...] Antes de participar do OAPS como residente, já havia sido bolsista do eixo temático Trabalho e Educação na Saúde. Essa experiência me ajudou a compreender o papel do Observatório e a importância da divulgação do seu trabalho para o fortalecimento do SUS. Acredito que o Observatório tem um grande potencial de levar informação de qualidade para a sociedade a partir de uma linguagem acessível e visão crítica sobre os eventos relacionados às políticas de saúde em meio ao atual cenário ‘nebuloso’ do nosso país”.



Raísa Santos de Sousa, graduada em Saúde Coletiva (Universidade de Brasília), residente em Saúde Coletiva com ênfase em Gestão e Planejamento pelo ISC/UFBA, pesquisadora do OAPS

“Escolhi sair da minha cidade [Brasília] para buscar novos desafios na vida profissional. Confesso que não conhecia o ISC/UFBA, entretanto, seus grandes mestres já eram grandes conhecidos, pois utilizamos muitas referências deles durante toda a graduação na Universidade de Brasília. Uma das atividades da Residência Multiprofissional é a inserção em um eixo de pesquisa e logo escolhi o eixo Análise do Processo da Reforma Sanitária Brasileira no Período 2007 a 2016 – não por ter mais intimidade com a temática, mas pela ausência de discussões sobre a reforma sanitária, que sempre surgiu durante a graduação apenas como algo distante e pouco debatido. Com a experiência no Observatório pude perceber a grandeza desta reforma, que não foi um fato ocorrido há anos, e sim um movimento contínuo e atuante. [...] Confesso que nunca fui muito próxima da pesquisa pois sempre valorizei a prática e tinha até um certo preconceito com as teorias/métodos e afins, entretanto, acredito que nenhuma prática é executada com efetividade se por trás dela não há uma base teórica sólida. Estou aos poucos me debruçando mais sobre a pesquisa, apreciando e procurando com cuidado unir a teoria e a prática de forma a cada vez mais chegar finalmente ao que a Saúde Coletiva tanto almeja, no meu ponto de vista, que é o de produzir saúde”.



Juliana Figueira, graduada em Odontologia pela UFBA, residente em Saúde Coletiva com ênfase em Gestão e Planejamento pelo ISC/UFBA, pesquisadora do OAPS

“Trabalhar com grandes nomes da Saúde Coletiva é uma experiência única e enriquecedora, sendo difícil descrever em palavras a importância desse contato e da complexidade dos saberes apreendidos nos diferentes espaços de discussão, presenciando a história viva do movimento de luta por uma saúde universal. Ao entrar no Observatório participei de dois eixos temáticos: Análise Sócio-histórica de Políticas de Saúde, coordenado pela prof.ª Lígia Vieira, e Análise de Políticas de Saúde voltadas para a Infância, coordenado pela profª Monique Esperidião. Neles tive visões diferenciadas de trabalho e crescimentos pessoais e profissionais. [...] No primeiro, a heterogeneidade do grupo me possibilitou uma visão diferenciada do conteúdo, de harmonia e respeito adotado pelos diferentes pesquisadores, sendo todos atenciosos e auxiliando no processo de construção do conhecimento. Atualmente, participo regularmente do grupo de estudos de políticas voltadas para infância, no qual há um processo de construção compartilhada que possibilita uma nova perspectiva de trabalho em equipe, permitindo um espaço promissor de crescimento pessoal e profissional. Além disso, como sou bastante tímida, o acolhimento vivenciado em ambos os grupos e em outros espaços de atividade do Observatório me permitiram enfrentar obstáculos que até então pareciam difíceis de ultrapassar. Isso torna o aprendizado prazeroso e aumenta a motivação para realização de um trabalho qualificado, contribuindo para a construção desse projeto tão valioso. [...] Considero o acompanhamento das políticas de saúde feito pelo Observatório de suma importância pois fornece uma visão crítica dos fatos, nos remetendo à luta pela Reforma Sanitária brasileira, permitindo uma contextualização histórica e cientificamente fundamentada, fugindo da forma direcionada e mercantilizada das notícias vinculadas pelas grandes mídias. Penso no Observatório como uma oportunidade de obter conhecimento rápido e direcionado em diversas áreas da saúde, entendendo a importância dessa ferramenta na atuação acadêmica e para os profissionais de saúde pois interconecta os diversos saberes em um espaço, sendo um convite para analisar criticamente a realidade”.


 
 
 
 
 
© 2021 Observatório de Análise Política em Saúde & Centro de Documentação Virtual. Todos os direitos reservados.
Instituto de Saúde Coletiva • Universidade Federal da Bahia • Rua Basílio da Gama, s/n • Campus Universitário do Canela • 40.110-040 • Salvador-Bahia
http://analisepoliticaemsaude.org/ • +55 71 3283-7441 / 3283-7442
 
Topo da página